José de Alencar: o descanso de um Guerreiro

“O ex-vice-presidente da República José Alencar, 79 anos, morreu às 14h41 desta terça (29), no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, em razão de câncer e falência múltipla de órgãos.” (G1)

Homem de fibra. Perseverante. Amante da vida. Essa é a imagem que guardarei do ex-vice-presidente José Alencar. Ele não se entregou em nenhum momento e, mesmo que indiretamente, passou força e confiança a milhares de vítimas de câncer em todo o Brasil.

Foram 13 anos de luta contra a doença dos quais cinco contra o mesmo tumor. Sempre que uma nova internação ou surgimento de outro câncer era noticiado, os brasileiros angustiavam-se. Uma torcida silenciosa esperava por sua recuperação e o fim do suplício. Infelizmente não foi possível. Ficam a tristeza e o exemplo desse homem ilustre.

Fique em paz e descanse!

“Não tenho medo da morte, porque não sei o que é a morte. A gente não sabe se a morte é melhor ou pior. Peço a Deus que não me dê nenhum tempo de vida a mais, a não ser que eu possa me orgulhar dele.” José Alencar

“As pessoas não morrem, ficam encantadas.” Guimarães Rosa

Sabedoria é aprender com a experiência dos outros

Quanto mais vejo as notícias sobre a crise no Japão, mais me surpreendo com o povo japonês. Comentei no texto anterior que os japoneses têm como um dos seus inúmeros hábitos culturais o respeito pelo próximo. Considero isso a premissa base para o desenvolvimento do espírito coletivo. Em um cenário em que falta tudo, os japoneses se preocupam em não deixar faltar o pouco que ainda tem para quem precisa.

Precisamos acompanhar com atenção o que acontece na terra do Sol Nascente, porque serve como um exemplo para nós brasileiros. Afinal, sabedoria é aprender com a experiência dos outros. Tudo o que poderia acontecer de errado na última semana no Japão aconteceu. Um terremoto, seguindo de um tsunami, uma crise nuclear e, por fim, uma nevasca. Quem deseja sair da região destruída, não consegue por falta de combustível ou bloqueio de rodovias em função das avalanches. E quem precisa ir a esses locais para socorrer, pelo mesmo motivo, enfrenta dificuldades. E o Japão da velocidade virtual, está assim, meio devagar.

Ainda assim, não se escuta falar de saques, roubos, brigas ou outros tipos de violência típicos de uma situação limite como essa. Na consciência coletiva de lá, é preciso se proteger enquanto um povo. Outra boa demonstração de comportamento pode ser avaliada na postura do embaixador do Japão durante uma reunião na Câmara dos Deputados quarta-feira (16). Depois de falar dos problemas de seu país, o embaixador foi claro: “Não queremos ajuda financeira. Precisamos de ajuda moral”. E sugeriu que a seleção brasileira de futebol e a de vôlei aceitem jogar em Tóquio no segundo semestre. Isso é um exemplo de dignidade! Uma prova de perseverança na recuperação do país, porque já está estimaram o período em que estarão aptos a organizar um evento de grande porte.

Perplexidade

O que está acontecendo no Japão é chocante. Uma sucessão de desastres ambientais que ninguém imaginava que fosse acontecer num país tão avançado tecnologicamente. A cada dia as notícias pioram e, depois do Tsunami – que sozinha já provocou uma destruição terrível, segue o risco de contaminação radiotativa.

O clima de pânico dos japoneses é compreensível. Eles têm em sua história duas experiências desagradáveis com a energia nuclear: as bombas de Hiroshima e Nagasaki. Os japoneses conhecem as consequências de uma contaminação radioativa e as dificuldades para superá-la. E o maior obstáculo, neste caso, é o tempo. A desintegração desse material leva anos, dependendo da contaminação, pode levar centena de anos. Quer um exemplo: ao redor da usina Chernobyl não há vida. Nem uma planta. E o reator continua a emitir radiação. Isso depois de 25 anos. Por conta disso, a cidade está abandonada.

Há quem considere a catástrofe iminente. A Comissão Europeia de Energia afirma que “está tudo fora de controle”. Afinal, já são quatro reatores com problema, um ao lado do outro. Imagina ter que isolar uma área inteira por contaminação. Um país que já sofre com super população e problemas econômicos perder uma cidade e mais quatro fontes de energia!

É lamentável tudo isto estar acontecendo no Japão. Isto porque os japoneses são muito atentos à conservação do meio ambiente. Culturalmente, eles têm uma preocupação com o próximo e com o legado para as futuras gerações. Isso faz do Japão um dos líderes mundiais no desenvolvimento de novas tecnologias amigas do ambiente. O país possui as práticas mais avançadas no controle da poluição do ar, da água, dos resíduos sólidos e dos produtos químicos. Não por acaso, eles sediaram o debate sobre mudanças climáticas que deu origem ao Protocolo de Kyoto. Até o Brasil eles tentaram ajudar emprestando dinheiro para a recuperação da Baía de Guanabara na década de 90! E já fizeram isso em vários países.

Diante dessa situação, só podemos torcer para que o problema não piore e seja contido.

Atropelando o bom senso

Foto: Ramiro Furquim (internet)

Bicicletas danificadas após passagem do carro

Esses dias estava pensando no caso do atropelamento de ciclistas em Porto Alegre. Foi algo surreal. Eu entendo que um passeio de dezenas de bicicletas numa sexta-feira a noite em pleno centro comercial não seja o que alguém espera encontrar depois de um dia de trabalho cansativo. Nessas horas, a grande maioria das pessoas não está interessada em saber de protestos ou ter seu caminho bloqueado. Mas isso não justifica a atitude do motorista no último dia 25 de fevereiro. De jeito nenhum!

A reação desse senhor foi irracional, desproporcional ao que se espera de uma pessoa de nível superior, executivo do Banco Central e pai. Aliás, deu um péssimo exemplo ao cometer o ato na frente do filho de 15 anos. Transformou o carro numa arma e atropelou 15 pessoas. Ainda bem que ninguém morreu.

Além disso, já era de conhecimento dos porto alegrenses que a manifestação do grupo Massa Crítica acontece sempre na última sexta-feira do mês e cruza sempre a mesma avenida. Se o motorista quisesse fugir do bloqueio, bastava entrar na transversal mais próxima.

Eu adoro andar de bicicleta e defendo a utilização dela como meio de transporte sustentável. Considero uma bela alternativa ao uso de carros que prejudicam o trânsito. Cansei de ir para o gabinete pedalando quando era vereador. Faço campanha política usando uma.  Acredito que deveriam existir mais ciclovias nas grandes cidades para facilitar a vida de quem mora perto do trabalho. Para mim, o convívio pacífico entre automóveis e bicicletas continua sendo um ideal. E espero nunca mais assistir um confronto real entre eles.

À Deriva

 

Foto: Sérgio Luiz/internetUtilizar as barcas como opção de transporte é sinônimo de transtorno. Esses dias um usuário comentou comigo que chegou às 18h20 no terminal da Praça XV com a intenção de ir rápido a Niterói para um compromisso. Na teoria, ele deveria embarcar às 18h30 e concluir a viagem em 20 minutos. Pelo menos, isso foi o esperado. Mas, na prática, a pessoa em questão, que não é de Niterói, só conseguiu embarcar no horário de 19h e reclamou com razão.

Neste horário, filas imensas de usuários aguardam somente a entrada no hall do terminal. Não por acaso, a mesma situação se repete na parte da manhã no terminal de Araribóia em Niterói. Infelizmente, este usuário teve uma amostra nada agradável daqueles que dependem das barcas para trabalhar ou estudar todos os dias. Péssimo cartão de visitas para cidade inclusive.

O transporte por barcas é a melhor alternativa para quem precisa transitar entre o Rio e Niterói. Mas as melhorias oferecidas pelas Barcas SA nos últimos anos não acompanharam na mesma velocidade o crescimento da demanda. E a concessionária não parece estar com pressa de resolver um problema que a envolve diretamente. Até mesmo o próprio Sérgio Cabral falou na semana passada sobre a dificuldade de negociação com a empresa. A diretoria não consegue decidir se vale a pena reduzir o custo da passagem em troca de duas barcas e um terminal da Transtur a ser cedido pelo Estado.

Falando nisso, o governador já deu aval para que as Secretarias de Transporte e de Desenvolvimento Regional levem adiante a construção do Porto Praia da Beira em São Gonçalo, que prevê um terminal de passageiros para transporte intermunicipal. O objetivo é que esteja concluído até 2014. A divisão das viagens com destino a São Gonçalo e Niterói vai ajudar a melhorar as condições de viagem dos usuários, reduzir a dependência da ponte e contribuir para o desenvolvimento de toda a região.