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Rio +20 quer renovar compromissos da ECO 92

Na sexta-feira, participei do evento que marcou o início da organização do RIO +20. O evento é uma iniciativa da ONU para marcar os 20 anos da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, mais conhecida entre os brasileiros como ECO 92.

Na época da ECO 92, houve um esforço conjunto de cientistas e ecologistas para conscientizar representantes políticos de diversos países, principalmente os desenvolvidos, sobre necessidade de proteger a natureza dos danos causados pela industrialização desenfreada. Foi lá que surgiu o conceito de desenvolvimento sustentável. A teoria afirma que todos são responsáveis pela conservação do planeta e defende um crescimento econômico menos consumista e mais adequado ao equilíbrio ecológico.

A Agenda 21, a Convenção das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima e o Protocolo de Kyoto (que estabelece metas para a redução na emissão de gases poluentes) são frutos da ECO 92. Assim como a valorização dos transportes coletivos, energias renováveis, a coleta seletiva, o saneamento e tratamento do esgoto entre outras questões sociais que hoje fazem parte das nossas leituras e conversas diárias.

Ano que vem, no dia 4 de junho, a RIO +20 pretende renovar o engajamento dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do planeta. O compromisso, agora, será pautado na “economia verde” e na eliminação da pobreza.

Um único tema, muitas consequências.

Hoje, 15 de outubro de 2009, eu não poderia falar de outro assunto que não fosse o aquecimento global. Por que isso? Porque trata-se, hoje, do Blog Action Day. Todo ano, blogueiros do mundo inteiro se unem durante um dia para tratar de um único assunto. Não importa se o blog é sobre design, entretenimento, política ou esportes. A função deste dia é chamar a atenção para um tema específico de importância para o mundo todo. Tal iniciativa é mais uma prova do quão frequente está se tornando o ativismo digital. E do quão organizada está ficando a militância na web.

O tema deste ano é o aquecimento global. Não poderia ser diferente. O mundo hoje se prepara para o encontro de líderes que acontecerá em Copenhague, na Dinamarca. O objetivo deste encontro é celebrar um acordo que suceda o Protocolo de Kyoto, que expira em 2012. A expectativa é que todos os 180 países participantes assumam compromissos com a redução da emissão de gases poluentes, ao mesmo tempo em que os países centrais comecem a assumir compromissos mais abrangentes.

Há menos de 2 meses deste encontro, a falta de acordo ainda é evidente. Os países ricos protelam a definição de metas mais avançadas e os países pobres questionam a indefinição da ajuda financeira que receberão para assinar o acordo. Após duas semanas de negociações conduzidas pela ONU em Bangkok, na Tailândia, a “contínua falta de clareza prosseguia”, como admitiu Yvo de Boer, que é o mais alto representante da organização para mudanças climáticas.

Enquanto leio sobre essa questão, não paro de me perguntar como, em 2009, ainda hesitamos em aceitar a urgência destas ações globais. O aquecimento global é uma realidade hoje e suas consequências já são visíveis. Os tsunamis, terremotos e furacões devastadores que estamos vendo nos últimos anos não são mensagens claras o suficiente? Do jeito que a discussão acontece hoje, parece que cuidar do planeta é um ônus para o nosso desenvolvimento, quando na verdade deveria ser um catalisador.

É possível enriquecer com ética e respeito ao meio ambiente. Da mesma forma, é possível enriquecer aproveitando-se das pessoas e abusando dos recursos naturais. A nossa sociedade tem praticado pouco a primeira opção e muito a segunda opção. Chegamos num ponto, contudo, em que a opção já não é mais pela melhor forma de enriquecimento, mas sim pela nossa sobrevivência ou não.

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