Estudo faz um alerta sobre o alto imposto cobrado nas bicicletas

Quero repercutir uma excelente matéria publicada no caderno Economia do jornal O Globo no domingo, dia 3. O texto fala sobre a tributação da bicicleta, baseado em uma pesquisa elaborada pela Tendências Consultoria para a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), que faz um alerta sobre o alto imposto inoportuno cobrado nas bikes.

Curiosamente, o imposto que incide sobre as magrelas no país é superior a 40% em média, contra 32% dos tributos no preço final dos carros. Com isso, temos as bicicletas mais caras do mundo. Uma bike aro 26, 21 marchas, que sai por R$ 400 no Brasil, é 54% mais cara que o modelo similar vendido nos Estados Unidos, por R$ 259, por exemplo.

Estudos apontam que uma diminuição de 10% no valor da bicicleta resultaria em um aumento imediato de 14% no consumo. Em outras palavras, reduzir impostos sobre a bicicleta significa mais pessoas pedalando, menos gastos com saúde pública e uma formalização do setor, que hoje, a nível nacional, corresponde a 40% do total de 235 fabricantes do país.

O Brasil é o terceiro maior produtor e quinto maior consumidor de bicicletas no mundo, o que representa 4,4% do mercado internacional. A alta carga tributária que incide sobre o produto é um dos fatores que impede a consolidação do uso da bicicleta como meio de transporte. E que também impossibilita grandes negociações comerciais.

A empresa cariosa RioSouth que planejava fabricar bicicletas elétricas em solo fluminense, por exemplo, decidiu ser importadora depois de concluir que suas bikes, que custam entre R$ 3 mil a R$ 4 mil, caso das elétricas dobráveis, sairiam 30% mais caras, já que motores e baterias não são produzidos no país, além do elevado custo da mão de obra.

Tenho uma opinião similar a do Daniel Guth, consultor da Associação de Ciclistas Urbanos da Cidade de São Paulo, quando diz que a tributação e seu impacto no preço influencia diretamente o uso das bicicletas no Brasil, onde 50% das bikes vendidas são para transporte, 37% para as crianças, 17% para o lazer e 1% para prática de esportes.

Eu sempre cobrei mais participação das bicicletas no sistema de transporte. Essa discussão eu iniciei quando fui vereador de Niterói e que busquei garantir quando elaborei o Estatuto da Bicicleta. Pensava em garantir o trânsito das bikes numa sociedade onde a cultura de progresso é ter carro.

Pedalar é um hábito saudável, além de ser um modo de vida mais prático.É urgente mobilizar a opinião pública sobre a realidade do mercado de bicicletas no Brasil, entrave para tornar a bicicleta bem mais acessível.