Quase 50% da população se sente insegura, segundo IBGE

A pesquisa “Caracterização da vitimização e do acesso à Justiça no Brasil”, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), revela a preocupação do brasileiro com a segurança. Na prática, 76,9 milhões de pessoas não se sentem seguras na cidade onde vivem, o equivalente a 47,2% da população.

O Rio de Janeiro é o segundo estado com maior proporção de insegurança, com 57,7%. O primeiro é o Pará com 63,1%.

A pesquisa mostra ainda que 21,4% da população não se sente segura nem mesmo em casa. No próprio bairro, a sensação de insegurança atinge 32,9% das pessoas. O medo da violência faz com que 60% dos domicílios usem dispositivos de segurança, como grades, olho mágico, alarme, câmera, entre outros.

Esta pesquisa foi realizada no último trimestre do ano passado, então acredito que esta sensação pode ter mudado após a invasão do Complexo do Alemão, no Rio.

As ações da polícia e do Governo do Estado do Rio em relação à Segurança Pública ganharam o apoio da sociedade nestes últimos meses. Gostaria de saber para onde caminhou a sensação de segurança. Será que aumentou ou diminuiu após os atentados realizados pelos traficantes e a consequente operação no Complexo? De qualquer forma, a pesquisa é mais um sinal do quanto precisamos caminhar na área de segurança em nosso Estado.

Maioria esmagadora da população apoia ocupação – por quê?

Complexo do AlemãoQuando a polícia ocupa uma favela, o que acontece lá não é brincadeira. A pressão que o policial enfrenta no momento da ocupação não o ajuda a manter seu bom humor. A arma que ostenta nos braços acaba fornecendo a ele poder de decisão sobre a vida ou morte de pessoas. A resposta que o tráfico oferece é apenas mais um ingrediente de uma mistura que se torna definitivamente perigosa.

A cena pode ser bacana num filme de ação. Mas deixa de ser quando o inocente morto é um amigo seu. A ocupação de favelas pela polícia sempre foi considerada uma política bem vista pela maioria das pessoas, mas no capítulo do Complexo do Alemão a coisa atingiu um nível antes inimaginável: 88% da população aprovou a incursão da polícia. Significa dizer que, aproximadamente, 9 em cada 10 pessoas aprovam a operação. É uma aprovação mais significativa que a do governo Lula no seu auge.

Enquanto lia sobre isso, me perguntava o porquê. A resposta mais clara é que a população ficou terrivelmente amedrontada com os ataques iniciados pelo tráfico no último 21 de novembro. A tal ponto que chancelaria qualquer medida tomada pelas polícias.

Reitero o que já disse anteriormente aqui: acho que a ocupação foi muito bem conduzida e, como tal, merece o reconhecimento. Depois de um longo tempo no qual parte considerável da população enxergava a polícia como bandidos e os traficantes como mocinhos, é claro que trata-se de uma boa notícia.

No entanto, a situação preocupa. Afinal de contas, se a guerra é autorizada, é provável que enfrentemos outros episódios como os vividos nessas duas semanas antes que a situação possa ser de fato normalizada.

O que vai acontecer após a ocupação?

Complexo do AlemãoDias após a ocupação do Complexo do Alemão, em operação conjunta envolvendo Polícia Militar, Polícia Civil e forças armadas, a população agora começa a se perguntar como ficará a segurança depois desse episódio.

A ação, muito bem conduzida pelas forças policiais, foi sem dúvida uma operação bem-sucedida. A constatação de que houve fuga de boa parte dos traficantes, no entanto, impõe agora uma outra pergunta: onde eles vão se estabelecer depois dali?

Outros estados do país estão se articulando para evitar a possível entrada de traficantes em fuga do Rio. E o interior do Estado? Como fica?

Infelizmente, a tropa de elite não pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo. É imprescindível nesse momento que o interior do Estado tenha seu policiamento mantido e que o trabalho de inteligência seja valorizado.

No meio dessa crise, lembro-me de Darcy Ribeiro falando empolgadamente sobre o projeto dos CIEPs. Quantos jovens, tendo a oportunidade de cursar uma boa escola, teriam sido livrados do tráfico de drogas? Talvez a criminalidade não tivesse o campo fértil que tem hoje.