A Estrada Parque Paraty-Cunha: uma obra esperada há 50 anos

No começo do mês, o governador Pezão assinou um convênio de R$ 42 milhões para concluir a Estrada Parque Paraty-Cunha, que corta o Parque Nacional da Serra da Bocaina. A via é uma das rotas de fuga das usinas nucleares de Angra dos Reis, e de grande importância para o desenvolvimento do turismo da Costa Verde.

Para pavimentar a rodovia, que liga Paraty ao município de Cunha, em São Paulo, onde faz conexão com a SP-171, o DER – responsável pelas intervenções – está usando bloquetes de concreto, que é uma exigência ambiental. E as obras incluem passagens subterrâneas e áreas conhecidas como ‘bichodutos’, para evitar eventuais atropelamentos de animais.

Os recursos, frutos da parceria do Governo do Estado com a estatal federal Eletronuclear, são parte dos R$ 92 milhões que estão sendo investidos na pavimentação da estrada, que tem pouco mais de nove quilômetros de extensão, dos quais quase três já estão prontos. O trecho entre o Centro de Paraty e a entrada do Parque Nacional já está pavimentado.

Essa é uma obra esperada há mais de 50 anos e é a redenção de Paraty e Angra dos Reis para o turismo, que coloca o Vale do Paraíba e o Sul de Minas a menos de uma hora do mar. Além da distância entre as cidades de Paraty e Cunha que será encurtada em 270 quilômetros, diminuindo o tempo de viagem em duas horas entre o Rio e São Paulo.

E há muita história para contar. O trajeto entre Paraty e Cunha tem 47 quilômetros e já fez parte da então Estrada Real, por onde, na época do Brasil Colônia, eram transportados o ouro e os diamantes, além de mercadorias e escravos, de Minas Gerais em direção ao porto de Paraty, rumo a Portugal. Na época, a Estrada Real era conhecida como Caminho Velho.

A construção da Estrada Parque Paraty-Cunha é uma das exigências do Ibama e do Instituto de Biodiversidade Chico Mendes (ICMBio) para a concessão da licença ambiental de construção da Usina Nuclear Angra 3, em Angra. Isso porque a ligação vai servir como rota de fuga também em caso de acidente. A previsão é que a obra seja concluída no início do ano que vem.

A Paraty-Cunha é a segunda estrada parque do estado do Rio. A primeira é a RJ-151, ligando Itatiaia e Resende, inaugurada no início do ano, que é pavimentada com asfalto de borracha.

Mobilidade urbana em destaque

A mobilidade urbana está em destaque nos debates e projetos que temos acompanhado. Esse é um tema antigo que defendo e que ganhou forte aliado no inicio deste ano, quando o Governo Federal sancionou a Lei 12.587/2012 que institui diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Nesses últimos dias, participei de alguns eventos relacionados ao tema.

Na semana passada, estive presente no 2º Seminário Sobre Mobilidade Urbana Sustentável, no auditório da Universidade La Salle, em Santa Rosa. Discutimos questões de prioridade no planejamento urbano e tivemos um encontro muito proveitoso, que resultou na assinatura de um convênio destinado a estruturar as várias modalidades de deslocamento da população, firmado entre a Nittrans e o Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento (IDTP).

No seminário, assisti também uma palestra muito interessante da especialista inglesa Jessica Morris sobre a concessão de espaço para o uso de automóveis, com ênfase na valorização dos espaços disponíveis para as pessoas, os ciclistas e o transporte público coletivo de qualidade.

O domingo (17), participei de um passeio ciclístico de encerramento do seminário, que foi do Museu de Arte Contemporânea (MAC), no Ingá, até o Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, no Rio, onde acontece a Cúpula dos Povos, um dos eventos do Rio +20.

Na terça-feira (19), participei de uma palestra sobre ciclocidadania, na Imprensa Oficial, no Centro de Niterói, onde foi possível refletir a mobilidade urbana e a inserção comunitária através do uso de bicicletas.

O projeto de uma nova ciclofaixa da Grota do Surucucu, em São Francisco até as Barcas, passando pela Avenida Roberto Silveira, deverá implantado em breve. Ao todo, são 18 quilômetros de ciclofaixas, cinco quilômetros de ciclorrotas, que são caminhos, sinalizados ou não, que demarcam a rota recomendada para o ciclista e quinhentos para-ciclos (estacionamentos para bicicletas) distribuídos pelo município. Este é um dos temas pelos quais também milito desde 2001, e que resultou, inclusive, no Estatuto da Bicicleta para Niterói.

Recentemente tivemos no Rio de Janeiro a inauguração do primeiro sistema BRT do Estado. O modelo segue em fase de teste até o dia 23, mas já representa um avanço na vida de muitos cidadãos que utilizam esse meio de transporte. Assim, como o projeto da Linha 3 do Metrô que em breve sairá do papel e evidencia que conceitos como mobilidade urbana e transporte sustentável estão na pauta das políticas públicas atuais.