O desafio da escola é formar mais que bons alunos

Uma entrevista da filósofa e professora Viviane Mosé ao jornal O Globo de hoje trouxe uma importante reflexão sobre os moldes da educação no Brasil. Em seu livro “A escola e os desafios contemporâneos”, a autora defende que é preciso priorizar um sistema de ensino que não forme apenas bons alunos, mas, que prepare vencedores.

Para que isso seja possível é fundamental, em primeiro lugar, que tenhamos educação de qualidade para nossas crianças e jovens, uma educação que pode ir muito além da metodologia aplicada rotineiramente em sala de aula. Nesse contexto, julgo importante trazer novamente para discussão um tema recorrente no meu blog: a educação integral nas escolas.

Não basta apenas que os professores transmitam o conteúdo. É preciso saber estimular os alunos. E assumir o projeto de educação integral nas escolas é dar oportunidade a esses estudantes para que tenham um melhor convívio social. Que tenham acesso ao esporte, à arte e às atividades culturais, desenvolvendo o potencial de cada um e contribuindo para sua formação.

Marco na história educacional, o CIEP é a melhor que referência que temos quando falamos em educação em tempo integral. O modelo de escola que surgiu durante o governo de Leonel Brizola tinha o objetivo de garantir o direito de acesso a uma educação plena, como fator primordial de desenvolvimento e afirmação social.

Não faz muito tempo, fomos contemplados com o projeto aprovado na Câmara que destina parte dos royalties para a Educação. Um investimento que trará benefícios para o desenvolvimento das Políticas Nacionais de Fortalecimento da Educação, que é um dos problemas sociais de maior destaque no país.

Há uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC 32/2013), do senador Cristovam Buarque, que aguarda um relator para ser votada no Senado. Trata da universalização da educação básica de qualidade. Ou seja, garantir que todos tenham as mesmas oportunidades educacionais e que a educação básica pública, em suas etapas e modalidades, tenha padrão uniforme.

A escola, como base de formação, deve priorizar a avaliação e o fortalecimento das habilidades e competências de cada aluno. Incentivar seus alunos a descobrir seus próprios talentos. Só a educação é capaz de fazer com que todos os cidadãos tenham o preparo necessário para que possam alcançar melhores condições de uma vida digna.

Ensino de qualidade se faz com a valorização do professor

A educação é um direito fundamental e essencial para o desenvolvimento humano. E não existe qualidade no ensino sem a valorização do educador. A começar por melhores salários que compensem a dupla ou até tripla jornada que alguns professores tendem a enfrentar diariamente.

Existe a lei nº 11.738, sancionada em 2008, que institui o piso salarial profissional nacional para o professor, e que sofreu reajuste de 22,22% em fevereiro de 2012. Estamos falando de pouco mais de dois salários mínimos. Mas quanto vale um bom professor? A educação deveria ser o primeiro e maior investimento em qualquer país. Uma das figuras mais importantes durante anos na vida de uma pessoa é o professor. Minha mãe é professora. E esse profissional precisa ser valorizado.

No início do ano, uma pesquisa realizada com seis escolas públicas brasileiras pela Fundação Lemman, que estuda maneiras de melhorar a qualidade do aprendizado no país, revelou que a valorização dos professores é a principal prática positiva e reflete diretamente na qualidade da educação.

Outras práticas eficazes apontadas são o acompanhamento contínuo do trabalho do professor, do rendimento do aluno, além do reforço escolar e, principalmente, a elaboração e execução de planos de metas. Mas que não seja um mecanismo de punição para quem ficar abaixo, mas uma maneira de valorizar o que está sendo feito de bom.

Dentro do seleto grupo de escolas, a pesquisa mostrou que mesmo nas instituições consideradas casos de sucesso ao transmitir ensino de qualidade a seus alunos, os professores estavam insatisfeitos com os níveis salariais e os planos de carreira. Este, por sinal, é um assunto que vem se arrastando há anos.

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou uma série de diretrizes para planos de carreira que são uma importante base para que cada prefeitura possa elaborar seus próprios planos. As principais são:

1. Garantir, em regime de colaboração entre a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, que todos os professores da Educação Básica possuam formação específica de nível superior, obtida em curso de licenciatura na área de conhecimento em que atuam.

2. Formar 50% dos professores da Educação Básica em nível de pós-graduação lato e stricto sensu; garantir a todos formação continuada em sua área de atuação.

3. Valorizar o magistério público da Educação Básica, a fim de aproximar o rendimento médio do profissional do magistério com mais de onze anos de escolaridade do rendimento médio dos demais profissionais com escolaridade equivalente.

4. Assegurar, no prazo de dois anos, a existência de planos de carreira para os profissionais do magistério em todos os sistemas de ensino.

A realidade no Brasil é que muitas prefeituras criam planos de carreira, mas encontram dificuldade de implementá-los. Já outras gastam fortunas neste, que se tornou um grande negócio. Atualmente, 57% dos municípios brasileiros ainda não têm plano de carreira.

Finalizo com um trecho extraído do editorial publicado pelo Ministério da Educação: “um bom educador passa por cima de currículos ruins, supera a falta de infraestrutura, enfrenta a indisciplina e abre oportunidades de vida melhor para seus discípulos. Por isso, precisa ser reconhecido e valorizado, mas também acompanhado e cobrado”.