O mundo se despede de Nelson Mandela

Na noite de quinta (5), recebi com muito pesar a notícia do falecimento de Nelson Mandela, ícone da luta pela igualdade social que estava internado desde junho e morreu, aos 95 anos, por complicações de uma infecção pulmonar. Sem dúvidas, o exemplo desse grande líder e todo seu legado político a favor da liberdade e pela não violência, e seu repúdio contra qualquer tipo de preconceito, ficará como inspiração para todos, por muito tempo.

A luta contra o preconceito o levou a ficar 27 anos preso. Condenado à prisão perpétua, Nelson Mandela foi libertado em 1990, aos 72 anos. Três anos depois, recebeu o prêmio Nobel da Paz por sua luta contra o regime do apartheid. Na época, dividiu o prêmio com o ex-presidente da África do Sul, Frederik de Klerk, que deu início ao término do regime segregacionista e o libertou da prisão.

Em 1994, nas primeiras eleições democráticas multirraciais, foi eleito presidente da África do Sul. Em seu discurso de posse, o líder negro adotou um tom de reconciliação e superação das diferenças. Em 1999, deixou a presidência e passou a se dedicar a campanhas para reduzir os casos de Aids em seu país, arrecadando fundos para o combate à doença.

Em 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou seu afastamento da vida pública para passar mais tempo com a família e os amigos. Já aos 92 anos, dificilmente participava de qualquer tipo de evento, devido à sua saúde frágil. Em 2012, deu início a sabatina de internações já com indícios da infecção pulmonar, provavelmente motivada pela tuberculose que contraiu durante o período que esteve preso na Ilha de Robben, na África do Sul.

Em uma de suas últimas imagens, Mandela foi visto sentando em uma cadeira, com cobertor sobre as pernas e seu rosto já não expressava mais nenhuma emoção. Muitos no mundo foram influenciados por seu esforço e luta pela dignidade humana, que o tornaram um símbolo internacional perene da resistência contra a opressão, o racismo e a desigualdade. Vá em paz, Mandela.

Lutar é questão de sobrevivência

Todos nós sabemos que sem luta não há conquista, não há amadurecimento. Se nenhum de nós lutasse pela igualdade do direito pleno, quantas pessoas estariam ainda hoje amargurando o jugo da imposição?

Lutar é imprescindível. E não é uma questão de escolha. E sim, de sobrevivência.

No entanto, nenhuma luta será bem-sucedida sem mobilização. E toda e qualquer luta necessita de determinação. Mobilização, determinação e organização são conceitos que precisam ser trabalhados ao mesmo tempo, pois eles estão interligados.

Lutar sem mobilização é luta de poucos e se torna irrelevante. Lutar sem organização é luta sem bandeira e sem proposta, portanto facilmente combalida.

Organizar-se e mobilizar-se permanentemente é o maior desafio de qualquer movimento consciente. As grandes distâncias existentes para a comunicação entre as pessoas foram rompidas. Com o advento da internet nos falamos aqui, agora, já, imediatamente, sem perda de tempo, levando nossas ideias para além dos antigos horizontes.

Não são poucos os exemplos bem sucedidos de mobilização através da rede. Temos o dever de aprender com esses exemplos e construir um caminho que possibilite ampliar nossa organização e nossa determinação. Tendo sempre em mente que nosso objetivo maior é lutar pela educação do povo do nosso Estado. Proporcionando a todos, e em especial à imensa juventude, alcançar seus objetivos, transformando-os em conquistas para um futuro digno.

Esta luta não é uma questão de escolha. É uma questão de sobrevivência.