Hospital Estadual do Cérebro: um ano de funcionamento e exemplo de qualidade no atendimento

O Instituto Estadual do Cérebro (IEC), instalado no prédio que antes sediava o antigo Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (o Into), acolhe pacientes do SUS que sofrem de doenças ligadas ao sistema nervoso e precisam de cirurgia. São pessoas acometidas por aneurisma, tumor, AVC, Parkinson ou epilepsia e que necessitam de intervenções complicadas. Uma estrutura sem igual que pude conhecer há poucos meses, que conta com um centro especializado de pesquisa e atendimento para pessoas com epilepsia. Atendimento de excelência que nenhuma rede privada possui.

Para esse tratamento de qualidade, que já é destaque em apenas um ano de funcionamento, o IEC conta com 44 leitos de UI, nove ambulatórios e 523 funcionários, sendo 180 deles médicos de variadas especialidades, além de enfermeiros, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e psicólogos. Cada uma das quatro salas de cirurgia do complexo é dotada ainda de um neuronavegador, um aparelho capaz de fazer uma leitura tridimensional do cérebro e indicar com precisão milimétrica o local afetado.

Com mil cirurgias realizadas, o IEC se propõe a ser mais que uma casa de saúde. A ideia é agregar a pesquisa científica ao atendimento à população e também funcionar como um núcleo de formação de jovens médicos. Como exemplo, diariamente, a equipe se reúne para debater o prognóstico dos pacientes e detalhar as técnicas empregadas nos tratamentos. Em alguns casos as abordagens acabam estabelecendo parâmetros até então desconhecidos pela literatura médica.

Há pelo menos 200 anos os cientistas se dedicam a desvendar o intrincado mecanismo de funcionamento do cérebro, uma complexa estrutura que envolve a interação de 100 bilhões de neurônios. No Instituto Estadual do Cérebro, os procedimentos são executados em conformidade com os mais recentes protocolos internacionais. Nessa lista se inclui a estimulação cerebral profunda, que atenua os sintomas da doença de Parkinson por meio da implantação de um eletrodo no cérebro. O objetivo é regular a atividade encefálica, numa dinâmica semelhante à do marca-passo cardíaco.

No início de julho, foi concluída toda a pendência para a construção de um anexo ao lado da sede. Com investimento de quase R$ 50 milhões, o prédio terá 12 andares, UTI pediátrica, 135 leitos de enfermaria, laboratórios de pesquisa e centro de reabilitação. A previsão é que, quando a nova ala entrar atividade, em 2016, as cirurgias pulem de cinco para dez por dia. O IEC é, sem dúvidas, motivo de orgulho para a Saúde do nosso estado.