Eu digo não à violência contra a mulher

O relato da figurinista Su Tonani, da TV Globo, sobre ter sido assediada sexualmente pelo ator José Mayer e o suposto caso de agressão envolvendo um casal de participantes do programa Big Brother Brasil inflamaram, na mídia e na sociedade, a discussão sobre o fim do assédio e da violência contra a mulher. Embora muitos avanços tenham sido alcançados com a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006), ainda assim, vivemos, hoje, a triste realidade de muitas mulheres que são vítimas de seus parceiros.

Recentemente, o enfrentamento à violência da mulher foi debatido na terceira edição do Brazil Conference, na Universidade de Harvard. Os números apresentados impressionam: por dia, no Brasil, 503 mulheres sofrem violência física, 13 são assassinadas em média e a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. E o agressor, quase sempre, é um conhecido (61% dos casos). Em 19% das vezes, são companheiros atuais das vítimas e, em 16%, ex-companheiros.

Outro número igualmente alarmante aponta o levantamento do Datafolha: 40% das mulheres acima de 16 anos sofreram algum tipo de assédio, desde comentários desrespeitosos nas ruas (20,4 milhões de vítimas), assédio físico em transporte público (5,2 milhões) e ou ser beijada ou agarrada sem consentimento (2,2 milhões). Ainda conforme o estudo, a sensação de 73% dos brasileiros é de que, infelizmente, a violência contra a mulher aumentou ainda mais na última década.

Eu digo não à violência contra a mulher. Digo não a qualquer tipo de assédio e violência. Toda atitude que possa ferir a dignidade das mulheres deve ser combatida e enfrentada com rigor. A Lei Maria da Penha é a principal legislação brasileira para defrontar a violência contra a mulher – reconhecida pela ONU como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência do gênero. Além dela, existe a Lei do Feminicídio, sancionada em 2015.

Tão importante quanto ter leis é fazer valê-las. E mais importante ainda é o ato de denunciar a agressão sofrida. No Brasil, existe o Disque 180, um canal de atendimento à mulher vítima de agressão, criado pela Secretaria de Políticas para Mulheres (SPM), e que funciona 24 horas por dia, todos os dias, inclusive aos finais de semana. No entanto, as estatísticas mostram que o número de mulheres que denunciam a agressão que sofreram ainda está abaixo do esperado.

A violência contra a mulher independe de classe social e todos nós devemos atuar juntos no combate a este crime. Nenhum tipo de agressão deve ser tolerado. E somente ações eficazes de todos os pilares da sociedade podem amenizar o problema. Segundo levantamento realizado pelo Movimento Nacional dos Direitos Humanos, em 2015, a maioria das mulheres foi assassinada por homens que as privavam de sua intimidade. É preciso dar um basta. Definitivamente.

Mulher deve ser tratada com respeito

Não existe nada mais covarde do que bater numa mulher. Ainda mais se essa mulher for uma pessoa da nossa família. Um homem de verdade protege as mulheres do seu convívio, respeita e dá o apoio necessário quando é preciso. Não as enche de pancada porque têm uma opinião diferente ou faz algo de que não gosta.

Atos assim são feitos por homens fracos, mal resolvidos. Querem ser importantes, mas como não conseguem demonstrar isso em atitude fora de casa, impõe isso pela força ou pela humilhação dentro da família. Só sabem viver numa relação de competição onde ele quer ser sempre o melhor.

Uma relação de verdade é construída a dois, cada um no seu espaço, sendo feliz fazendo o que gosta. Se algo incomoda, converse. Se os caminhos estão indo para lados diferentes, separem. Simples assim. O problema é que as pessoas querem se sentir donas um das outras a ponto de matar só para mostrar para tudo mundo quem é que manda. Para esses homens bárbaros, Lei Maria da Penha neles.

Eu sou muito feliz com as mulheres da minha vida. Tenho uma mãe que fez o melhor que sabia e podia por mim e pelos meus irmãos. Uma irmã linda. Outra irmã de coração. Uma esposa maravilhosa que me entende e me completa. Uma filha incrível e uma segunda que está para chegar. A única coisa que importa é ser o homem que elas merecem.