Leonel Brizola: filho do povo

 Nove anos já se passaram desde a morte de um dos mais dedicados líderes político que o Brasil já teve, Leonel de Moura Brizola.

Brizola se foi em 22 de junho de 2004, mas nos deixou seu exemplo e ensinamentos como forma de inspiração para o PDT e suas principais lideranças comprometidas com o legado trabalhista.

Começou na política ao lado de Getúlio Vargas, no recém-criado Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), em 1945. Ainda era universitário, estudante de engenharia. Teve uma infância pobre e sempre trabalhou para estudar. Sabia exatamente pelo que passava a classe trabalhadora. Tinha orgulho de sua origem popular.

Brizola cresceu e se afirmou como principal líder brasileiro de esquerda. Convocou as forças progressistas a se unirem a ele, numa Frente Nacional de Libertação, para as lutas de combate à exploração estrangeira e ao latifúndio improdutivo. Seu prestígio era tanto que, mantendo-se no governo do Rio Grande do Sul, se candidatou a Deputado Federal pelo Rio de Janeiro, alcançando a maior votação registrada na história brasileira.

Foi responsável por liderar a campanha pela posse de João Goulart, após a renúncia de Jânio Quadros, a Campanha da Legalidade. Brizola convocou a população, e milhares de pessoas foram às ruas para garantir a posse de Jango em uma época que os militares comandavam.

Como parlamentar, fez fortes discursos defendendo a implantação da reforma agrária e a distribuição de renda no Brasil. Foi um político que sempre acreditou na força do povo e no processo social. Contribuiu para abolir o analfabetismo no Rio Grande do Sul, onde construiu mais de 3 mil escolas. E no Rio de Janeiro, implantou o programa de educação integral, construindo 500 CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública).

Leonel de Moura Brizola foi um dos mais destacados líderes do país que viveu pela política brasileira e lutou por um país que caminhasse por seus próprios pés. Morreu aos 82 anos e está entre os grandes heróis de nossa nação. Sem dúvida um exemplo a ser seguido.

Oito anos sem Leonel Brizola

Na quinta-feira (21), completaram oito anos da morte de um dos mais destacados líderes nacionalistas do país. Ex-presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, viveu pela política brasileira e deixou um legado de grandes realizações. Morreu aos 82 anos no dia 21 de junho de 2004, de infarto decorrente de complicações infecciosas, no Rio de Janeiro.

Nascido em Carazinho, no Sul do país, e filho de camponeses pobres, Brizola estudou em Passo Fundo e em Viamão, antes de ingressar no curso de engenharia civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se formou em 1949. Lançado à vida pública por Getúlio Vargas, sofreu uma grande derrota política, ao perder a disputa pela Prefeitura de Porto Alegre, em 1951.

Mesmo assim, continuou trabalhando nos bastidores e voltou à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em 1954. Como parlamentar, fez discursos veementes defendendo a implantação da reforma agrária e a distribuição de renda no Brasil.

Com a popularidade crescendo muito, Brizola não teve nenhuma dificuldade nas eleições de 1958, quando se elegeu governador do Rio Grande do Sul, com mais de 55% dos votos válidos. Erradicou 50% do analfabetismo entre os gaúchos e deixou mais de três mil escolas gratuitas naquele estado para que todas as crianças tivessem acesso à educação. Em 1962, pela primeira vez, foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara, com uma votação recorde de 269 mil votos.

Com a deposição do presidente João Goulart pelos militares, em 1964, Leonel Brizola foi obrigado a se exilar no Uruguai. Voltou ao Brasil somente em 1979, com a Lei da Anistia.

Brizola fundou o PDT em 1980, partido pelo qual foi eleito governador do Rio de Janeiro por duas vezes. Implantou o programa de educação integral, construindo 500 CIEPs. Sempre lutou sob a inspiração do nacionalismo e do trabalhismo, pelo desenvolvimento do país, por mais dignidade para o povo brasileiro, pelos direitos e conquistas do trabalho e da educação. Também por duas vezes concorreu à Presidência da República. Ao longo dos quase 60 anos de vida pública, deixou um legado de grandes ações que o fizeram estar, hoje, entre os grandes heróis de nossa nação. Ao lado de Neiva Moreira, lutou para propagar a ideologia trabalhista pelo Brasil e também pela América Latina.

Em fevereiro deste ano, foi homenageado com o lançamento do livro ‘Leonel Brizola – A Legalidade e Outros Pensamentos Conclusivos’, dos jornalistas Oswaldo Maneschy, Apio Gomes, Paulo Becker e Madalena Sapucaia, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, e depois relançado na Câmara de Vereadores de Niterói. Estive presente nesse primeiro momento e pude sentir a emoção de relembrar uma parte da trajetória do político idealizador, que foi Leonel de Moura Brizola.

Por tudo isso, Brizola vive.

Uma ótima dica aos leitores

Depois do lançamento do livro ‘Leonel Brizola – A Legalidade e Outros Pensamentos Conclusivos’ na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio, a obra será relançada nesta quarta-feira, dia 8, às 19h, na Câmara de Vereadores de Niterói. Ótima oportunidade para, mais uma vez, prestarmos homenagem a Leonel de Moura Brizola, político ímpar que tanto lutou pelo progresso do nosso país e sempre defendeu a causa de uma educação de qualidade para todos.

Estive presente nesse primeiro momento, que reuniu mais de 400 pessoas na ABI, e pude sentir a emoção de relembrar uma parte da trajetória de Brizola, que viveu pela política brasileira e deixou um legado de grandes realizações. Inspirado por ideais trabalhistas, Brizola estabeleceu novas opiniões sobre temas como processo social, economia e a própria política.

Organizado pelos jornalistas Oswaldo Maneschy, Apio Gomes, Paulo Becker e Madalena Sapucaia, o livro apresenta a opinião de Brizola, em primeira pessoa, através de transcrições recolhidas ao longo dos anos. Dividido em duas partes, a primeira é dedicada ao movimento da Legalidade de 1961. Já a segunda, trata-se de uma releitura do livro ‘Com a Palavra, Brizola’, publicado em 1994. Vale a pena também conferir o CD que acompanha o livro, com fatos narrados pelo próprio.

Leitura mais que indicada!

50 anos da Cadeia da Legalidade

No dia 25 de agosto de 1961, o Brasil recebeu com perplexidade a renúncia do presidente Jânio Quadros. Na verdade, a manobra foi um golpe. Por um lado, estava a vontade de Jânio Quadros de testar a sua popularidade ao se ver pressionado por militares cada vez mais influenciados pela Guerra Fria que polarizava o mundo. De outro lado, estavam os próprios militares entusiasmados pela oportunidade de assumir o poder. Entre eles João Goulart: vice-presidente, altamente popular e nacionalista.

Ausente do país, numa viagem pela China, a oposição encontrou o momento ideal para acusá-lo de comunista e impedir que assumisse o cargo. Em um post anterior, falei aqui sobre um livro recentemente lançado que devolve a João Goulart sua dignidade e seu mérito. Jango era Brasil. Ele tentou fechar acordos com as duas potências e por em prática ideias hoje amplamente discutidas, mas que na época eram um assombro. Fazer a reforma agrária, reduzir a desigualdade social e garantir a soberania nacional eram temas por ele defendidos que causavam pavor.

Enfim…

Para garantir o que regia a Constituição, entrou em ação Leonel de Moura Brizola, governador do Rio Grande do Sul, aliado político pelo PTB e cunhado de Jango. De maneira heroica, ele se aquartelou no Palácio Piratini e convocou a população a defender a legalidade. Conseguiu o apoio das principais rádios locais que passaram a transmitir os chamados em ondas curtas, atingindo as rádios de todo o país. Em poucos dias, mais de 100 rádios no Brasil estavam mobilizados. Rádios de países vizinhos retransmitiam a informação em espanhol e inglês.

No estado gaúcho, milhares foram às ruas. A ponto do coronel do III Exército se emocionar e desistir de prender Brizola. Então, para que não ocorresse uma guerra civil, Jango retornou ao Brasil e aceitou o sistema de parlamentarismo proposto pela direita. Numa época em que os veículos de comunicação eram dominados pelos políticos de direita e pelos militares, o sucesso da ação foi muito comemorado. Ele retardou o golpe que já vinha se desenhando e tencionando governos anteriores. 

A Cadeia da Legalidade é um marco na história nacional que não pode cair no esquecimento. Ela carrega a força da mobilização popular e deve ser lembrada e divulgada entre a juventude tão descrente da política. Também foi um legado deixado por Brizola: um líder nato, orador invejável, além de ser homem audacioso e enérgico. Sua persistência fez com que temas de interesse nacional estivessem sempre em pauta. Concordo com o deputado federal Enio Bacci (PDT-RS) de que, se não fosse o Golpe de 64, certamente Brizola seria presidente da República.

Em memória dele, disponho aqui uma nota do Jornal do Comercio de Porto Alegre que fala sobre a intenção de transformar Brizola em herói nacional

Brizola: Herói Nacional

O legado de Leonel Brizola é tão grande que há gente que quer que ele seja considerado Herói Nacional, ao lado de Tiradentes e José Bonifácio. O deputado federal gaúcho Luiz Noé, do PSB, tem um projeto de lei que coloca Brizola ao lado de Heróis Nacionais que constam no Livro de Aço, no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, em Brasília. “A importância da Campanha da Legalidade passou despercebida no Brasil. Nesse ato, Brizola defendeu a democracia.” Noé, que já conhecia a história política de Brizola, se tornou admirador após conhecer a história pessoal do ídolo.