‘Reaja!’, de Cristovam Buarque

Na terça (20), prestigiei o lançamento do livro ‘Reaja!’, do senador Cristovam Buarque, na Livraria Cultura, no Centro do Rio.

A obra é inspirada no texto ‘Indignem-se’ (‘Indignez-vous’) do filósofo francês Stéphane Hessel, de 95 anos, que convoca os jovens de hoje a retomar a indignação que sua geração tinha contra impunidades daquele tempo.

Cristovam, no entanto, vai mais além da proposta de Hessel e afirma que é preciso reagir à injustiça, à corrupção e a apatia política. O exato cenário que vimos nas ruas nos últimos meses quando milhares se mobilizaram para lutar por mudanças na política brasileira.

‘Reaja!’ é uma grande lição de alguém que, mais que um político, é um pensador agudo, um educador militante e um lutador incansável das boas causas. Recomendo!

Educação é a solução

Na minha última viagem a Brasília, tive o prazer de encontrar o senador Cristovam Buarque. No breve encontro que tivemos, conversamos sobre a conjuntura atual do PDT, o desejo de ver o partido retomar seu destaque na política nacional e sobre a educação no Brasil. Ganhei de Cristovam um exemplar do seu novo livro “Educação é a solução. É possível!”, lançado ontem.

O livro aponta que a educação no Brasil seja talvez a mais desigual entre todas do mundo. De acordo com o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), nosso país ainda gasta muito pouco com educação. Por isso, está em 53º lugar entre 65 países pesquisados. Estamos nos últimos lugares em leitura, compreensão textual, matemática e ciências e gastando dinheiro em obras para a Copa do Mundo e Olimpíadas.

Por exemplo, São Francisco do Conde, na Bahia, tem o maior PIB percapta do país no valor acima de R$ 296 mil. Já em Curralinho, no Pará, essa renda é 150 vezes menor, cerca de R$ 1.900. Fica impossível conseguir educação de qualidade em municípios tão desiguais.

Nenhum estado ou município tem condições de adotar estas condições em todas as escolas. Só a federalização será capaz de espalhar esta escola e esta carreira por todo território brasileiro. Somente ela poderá garantir educação igual nessas duas cidades e em todo o país.

Todos querem uma revolução na educação. Porém, poucos sabem tão bem quanto o senador Cristovam Buarque, por onde começar e como dela participar. O senador defende uma revolução na educação por causa do seu compromisso com as crianças. Afinal, como ele sempre diz, uma criança quando nasce, antes de ser goiana, pernambucana ou paulista, ela é brasileira.

A federalização da educação de base é uma medida muito simples: basta o governo federal espalhar escolas federais por todo o território nacional, assegurar escola com a máxima qualidade para as nossas crianças, independente da renda da família e da cidade onde mora. E para federalizar a educação são necessárias seis medidas concretas:

1. Ampliação das atuais 451 escolas públicas federais para 156.164 no país, seguindo o modelo das melhores escolas, tais como, Colégio Pedro II, Escolas Técnicas, Colégios Militares e Institutos de Aplicação;

2. Transformação das atuais 5.601 carreiras de professores municipais e estaduais em uma única carreira nacional de Estado, consolidando a Carreira Nacional do Magistério;

3. Pagamento de salário mínimo de R$ 9 mil por mês para os professores do Novo Sistema de Educação;

4. Criação do Prouni da Educação de Base, o Programa de Apoio ao Estudante da Educação Básica (PROESB);

5. Criação de um Ministério da Educação de Base;

6. Definir prazo de, no máximo, 20 anos para substituir as escolas atuais capengas, por escolas decentes, bem equipadas e em prédios novos compatíveis com as novas demandas.

Para fazer esta revolução na educação de base no Brasil é preciso ter tática. E começar pelas pequenas cidades. Uma cidade de 35 mil moradores tem cerca de 28 escolas, 9 mil alunos, 300 professores e 30 alunos em cada sala de aula. Para o senador, é possível implantar o Novo Sistema de Educação Federal, a cada ano, em 300 pequenas cidades, atendendo cerca de 3 milhões de alunos, em 9.500 escolas, com 100 mil novos professores.

Cristovam afirma que em 20 anos a federalização estaria completa. Talvez antes por causa da pressão popular. Todos vão querer uma educação de qualidade, com escolas atraentes. De fato, a educação de qualidade não deve ficar limitada apenas aos 257 mil alunos das atuais escolas federais da educação de base, mas deve chegar a todas as 51 milhões de crianças em idade escolar.

A federalização da educação de base é uma medida atrativa para prefeitos e governadores. Ela traz economia de R$ 200 bilhões para prefeituras e estados e R$ 57 bilhões de reais para as famílias de classe média com filhos em escolas particulares.

Quando todas as escolas da educação de base públicas forem federais, conforme prevê o artigo 211 da Constituição, o custo total do novo sistema será da ordem de R$ 463 bilhões por ano, apenas 6,4 por cento do PIB brasileiro, que hoje vale mais de R$ 7 trilhões.

Hoje, Cristovam irá falar sobre a importância da escola de qualidade igual para todos, numa videoconferência no auditório do Interlegis, em Brasília, as 14h30. Será uma boa oportunidade para conhecermos mais sobre a causa educacionista de Cristovam. Essa luta também é minha.

Histórias do cinema de Niterói

Semana passada aconteceu, na Livraria Icaraí, o lançamento do livro ‘Cinematographo em Nictheroy – História das salas de cinema em Niterói’ do professor do curso de Cinema da UFF, Rafael de Luna Freire.

Rafael é irmão do meu amigo, o produtor cultural Pedro de Luna, um dos fundadores do Arariboia Rock, que apoio desde 2004, quando o movimento surgiu.

No livro, Rafael faz um estudo sobre o papel do cinema em Niterói desde o século XIX até os dias de hoje. Fala sobre a história das salas de cinema de Niterói e como elas acompanharam as transformações sociais, urbanas e comportamentais da cidade.

Um dos pontos abordados por Rafael é a trajetória de aberturas e fechamentos das salas de cinema da cidade como o Cinema Icaraí, por exemplo. Eu acompanhei de perto esse impasse.

A luta dos defensores pela manutenção do cinema e pela manutenção da sua arquitetura é antiga. Lembro que, enquanto vereador, fui o único a ir contra o projeto de lei que previa o destombamento parcial do prédio e somente com a intervenção do Inepac, em 2008, do qual fui forte apoiador, conseguimos garantir o tombamento.

‘Cinematographo em Nictheroy’ foi lançado pela Editora Niterói Livros e está à venda nas livrarias da cidade. Sem dúvidas, é uma ótima dica de leitura aos apaixonados por cinema.

O saber do livro no sabor da leitura

O livro é e sempre será a forma de armazenar conhecimentos. Faz tempo que esse amigo do saber não muda o seu formato. Folheá-lo é a descoberta do aprendizado. O Interesse pelas histórias, os enredos, seus personagens, tudo envolto em magia e emoção.

A notícia de que os livros eletrônicos superaram, em vendas, os livros tradicionais instalados nas prateleiras das livrarias, não impressiona e nem anuncia a morte do menor exemplar.

Nos últimos anos vem surgindo algo no meio de comunicação que prevê mudanças nas sucessivas invenções tecnológicas transformando velhas idéias em revoluções pós-modernas.

O livro vai acabar? Não. Outrora ameaçado pelos tiranos que não aceitavam o saber como formação do ser. Lido, relido e circulante, o livro superou a censura, a indiferença e a ignorância.

O livro é e será, sempre, essa chama misteriosa que nos prende ao tempo de se ter tempo. Quem conhece o sabor da leitura sabe que o livro, em si, está no centro de histórias, numa permanente lembrança do que se leu e aprendeu.