Conhecendo o Projeto Mais Leitura

Recentemente comentei em um artigo sobre o Projeto Mais Leitura, iniciativa muito interessante promovida pela Imprensa Oficial do Estado, que propõe a venda de livros novos a preços populares. Pude saber mais sobre essa ideia durante o 4º Salão da Leitura de Niterói, que aconteceu em junho, no Caminho Niemeyer.

Cada estande, com 48 metros quadrados, tem capacidade para mais de 10 mil livros e 700 títulos. O área conta com expositores, computadores e balcões. No “lojão”, como ficou conhecido o espaço, são vendidos livros novos que podem variar entre R$ 2 e R$ 4. Tem pra todos os gostos e todas as idades.

A média de venda é de 15 mil livros por mês em cada unidade. E mais de 100 mil cidadãos são titulares do “Cartão do Leitor”, que garante um “livro-brinde” a cada 10 livros comprados. Ao todo, foram mais de 2 milhões de títulos vendidos, publicados por 40 editoras associadas.

O Mais Leitura deu tão certo que tem se espalhado pelo estado. O projeto, que tem uma versão itinerante, já passou por 50 municípios do estado, além das agências fixas em Niterói, no Bay Market; e nas unidades do Rio Poupa Tempo de São Gonçalo, Bangu, São João de Meriti. Uma grande proposta de democratização do acesso à leitura. Uma ideia que merece ser conhecida e reconhecida.

Um ano de reinauguração da Biblioteca Estadual de Niterói

Semana passada a Biblioteca Estadual de Niterói comemorou um ano de sua reinauguração. O prédio histórico, do início do século XX, reabriu as portas com o novo conceito de uma biblioteca parque. Inspirado na experiência de Medellín, na Colômbia, o projeto buscou organizar o espaço da biblioteca com o objetivo de promover o acesso mais fácil à informação e favorecer a inclusão social.

Desde 2004, quando foi liberada a verba para as obras de restauração do espaço, acompanhei as decisões do governo estadual em relação à biblioteca. Além do seu papel educacional, a Biblioteca Estadual de Niterói também é uma referência em arquitetura. O prédio compõe um dos mais belos conjuntos arquitetônicos de nossa cidade.

Hoje, o espaço reúne mais de 50 mil publicações atualizadas, sendo 157 para deficientes visuais. Circulam pela BEN uma média mensal de cinco mil visitantes. Além disso, a biblioteca festeja a conquista de um público adicional.

Pessoas em situação de rua também passaram a frequentar a biblioteca e encontram ali uma forma de socialização. No início, os novos visitantes apenas utilizavam o espaço para descanso e convivência, mas logo a curiosidade não resistiu aos atrativos do acervo e serviço. Com o propósito de realizarem cadastro na biblioteca, estes visitantes adquiriram documentos de identificação e comprovantes de albergue. Dessa forma, resgataram a sua autoestima e cidadania.

Realmente, o resultado da reforma ficou excepcional. Os novos ambientes mais organizados e descontraídos, modernos recursos tecnológicos e computadores com acesso gratuito à internet permitem que o visitante tenha uma experiência mais divertida que vai além de apenas ler um livro. A inclusão social pode e deve ser feita com acesso ao conhecimento, esse é o papel principal da biblioteca. Estou muito satisfeito com esse novo cenário. Conheça você também!

Pesquisa comprova que o brasileiro lê pouco

O brasileiro sabe da importância da leitura, mas continua considerando a atividade desinteressante. Esse é o resultado da pesquisa divulgada recentemente pelo Instituto Pró-Livro que aponta apenas metade da população como leitora. O estudo foi realizado entre junho e julho do ano passado, com cinco mil entrevistados em 315 municípios. A média de leitura por pessoa é de quatro livros por ano.

Pelo levantamento, essa parcela representa 88,2 milhões de pessoas. Entre os participantes, 64% concordam que a leitura “pode fazer uma pessoa vencer na vida e melhorar sua situação econômica”. 30% disseram que não gostam de ler, 37% gostam um pouco e apenas 25% gostam muito. Entre os não leitores, a principal justificativa é a “falta de tempo”, apontada por 53% dos entrevistados.

O estudo também demonstra que o hábito da leitura está relacionado com a frequência à escola. Escolas e bibliotecas, apontadas como um local desinteressante pelos entrevistados, precisam de ambientes modernizados e acervos atualizados. Bons exemplos são as reformas de algumas das bibliotecas da nossa rede pública de ensino e a modernização da Biblioteca Estadual de Niterói. Ambientes mais organizados e livros novos contribuem para o acesso à informação e o incentivo à leitura.

Não acredito no discurso de que o brasileiro não gosta de ler. A falta do hábito de leitura no país é cultural. O brasileiro associa a leitura à obrigação e não ao prazer. A questão é que não temos a leitura como valor social.

Nas últimas décadas houve um incremento grande de programas voltados para o estímulo da leitura, mas as iniciativas ainda não tiveram o efeito esperado. Há várias iniciativas de vários setores da sociedade, mas mesmo assim é pouco. Essas ações precisam ser mais articuladas.

Ler é essencial e sempre será a melhor forma de aprendizado.