Abstenção da prova do Enem supera 50%

O Ministério da Educação (MEC) divulgou que a abstenção registrada na reaplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nesta quarta-feira foi superior a 50%.

Depois de tantas trapalhadas os estudantes começaram a duvidar da seriedade do Exame. Por isso menos da metade dos 9,5 mil participantes que foram convidados a refazer o Enem, em 17 estados da federação, nem foram até o local da prova.

Foram aplicadas novas provas de ciências humanas e suas tecnologias e ciências da natureza e suas tecnologias para os alunos prejudicados por erros de impressão nas provas amarelas, realizadas no dia 6 de novembro, considerando o registro em ata.

Para os estudantes que faltaram ao Enem ontem serão consideradas para o cálculo final as notas das provas que foram aplicadas no dia 6 de novembro.

ENEM: descaso ou incompetência?

Não foi a primeira vez. Em mais um vexame público, a organização do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) prejudicou os milhões de estudantes que se inscreveram em busca de um lugar nas boas universidades do país.

É uma pena que as coisas estejam caminhando desta forma. Desenvolver um sistema de avaliação capaz de substituir o já caduco vestibular é fundamental e o ENEM nos parece ser o melhor caminho para atingir esse objetivo. A maneira com que ele vem sendo gerido, no entanto, deixa – e muito – a desejar.

Em 2009, as provas foram suspensas apenas dois dias antes de sua realização por conta do vazamento de questões. Este ano, a tragédia começou a ser anunciada ainda em agosto. Naquele mês descobriu-se que o contrato com as empresas que organizariam a prova ainda não havia sido assinado. José Tavares Neto, presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), órgão do Ministério da Educação responsável pelo ENEM, afirmou na ocasião que tudo estava dentro do cronograma.

Passados três meses, o óbvio fica evidenciado: é impossível organizar uma prova da dimensão do ENEM num prazo tão curto. A quantidade de trapalhadas foi tão grande que o resultado não poderia ter sido outro: a prova foi suspensa. O que poderia ter sido diferente é a forma com que a situação está sendo encaminhada. Se a direção do INEP fosse adepta da prática da autocrítica, muitas polêmicas e incertezas seriam evitadas. Contudo, como isso não acontece, é o Poder Judiciário quem vem tratando de acertar o rumo do ENEM 2010.

Mais uma vez, a educação está no centro de um escândalo nacional. Há poucos dias, eu comentei aqui o fato de a ONU ter comparado o nível educacional do Brasil ao do Zimbábue. Com as informações que vem sendo divulgadas sobre o caso, a conclusão imediata a que chegamos é que há muita incompetência na gestão do ENEM. Para mim, no entanto, o que vemos é mais um exemplo do descaso com o qual nosso país ainda trata a educação.

O que me conforta é que as boas ideias vão muito além das pessoas que as operam. Apesar desses problemas tão primários, o ENEM não perderá sua credibilidade e poderá ser aprimorado até o ponto em que o vestibular já terá se transformado em memórias.