Afonsinho, um defensor da democracia

Fiquei muito satisfeito ao ler no Globo Niterói, no último dia 29 de novembro, uma interessante matéria com o ex-deputado Afonsinho. Affonso Celso Nogueira Monteiro é morador de Niterói e memória viva da política no estado. Ele foi entrevistado pelo jornalista Gustavo Schmitt, e deu um breve relato do que viveu antes, durante e depois da ditadura de 64.

Um episódio marcante do Afonsinho foi durante o golpe militar, que os antigos conhecem bem. Ele era deputado estadual no antigo Estado do Rio de Janeiro e, de pistola na mão, tentou impedir que os golpistas tomassem a Assembleia Legislativa (Alerj), do antigo RJ, cercado por centenas de operários navais que defendiam a nossa democracia. E claro, foi preso no dia seguinte.

Comunista e pedetista, seguidor da linha de Luiz Carlos Prestes, Afonsinho foi deputado estadual pelo PDT, de novo, em 1982 – na explosão do governo Brizola, que foi eleito na primeira eleição para o cargo, logo após a ditadura.

Em 25 de março deste ano, foi homenageado pela Comissão da Verdade em Niterói, como um dos maiores defensores da democracia na história da nossa cidade. Belo exemplo!

Para quem quiser ler um pouco mais da sua história, deixo aqui o link. Vale a leitura! http://oglobo.globo.com/rio/bairros/morador-de-niteroi-ex-deputado-revela-sofrimento-em-centro-de-tortura-14695912

Museu do Trem apresenta a exposição “O Rio Grande na era dos trens”

Está em cartaz, até o dia 29 de novembro, no Museu do Trem, a exposição “O Rio Grande na era dos trens” com registros dos fotógrafos José Abraham e Alfonson Abraham, pai e filho.

Durante os anos de 1950 a 1980, a dupla acompanhou a trajetória das máquinas que levaram o progresso ao Rio Grande do Sul, desde as oficinas que produziam as peças de reposição até a última Maria Fumaça que rodou os trilhos entre as cidades de Bagé e Rio Grande.

Recomendo a todos que visitem o Museu do Trem e confiram a exposição. É uma interessante viagem no tempo, que remete a uma época em que o trem era o principal meio de transporte tanto de cargas como de passageiros.

Fundado em 1984 e fechado desde 2007, quando o prédio foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Museu do Trem reabriu suas portas esse ano e merece ser visitado pelos cariocas.

Este é o único museu dedicado ao trem no Estado do Rio de Janeiro e o único espaço cultural do bairro do Engenho de Dentro, na Zona Norte. Desde julho do ano passado essa reabertura vinha sendo muito reivindicada por antigos funcionários da Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e por todos aqueles interessados na memória do transporte ferroviário.

O Museu do Trem fica na Rua Arquias Cordeiro, 1046, no Engenho de Dentro. A visitação acontece de segunda a sexta, das 10h às 16h, com entrada franca. Vamos prestigiar!

O Brasil se despede de Oscar Niemeyer

Ontem, recebi com muito pesar a notícia do falecimento de Oscar Niemeyer. Grande ícone brasileiro, arquiteto inovador, comunista convicto, além de pessoa sensível, sábia e jovem apesar de mais de um século de vida.

Com traços livres e rápidos, Oscar Niemeyer criou um novo movimento na arquitetura. Seu maior diferencial foram as curvas. E para chegar a este resultado tornou-se adepto do concreto armado que lhe permitia formatar os prédios. Para ele, a arquitetura também era uma arte e as edificações deveriam compor com a paisagem.

Depois de Brasília, Niterói é a segunda cidade do mundo com a maior quantidade de obras projetadas pelo arquiteto. Além da Fundação Oscar Niemeyer, temos os prédios do Memorial Roberto Silveira, o Teatro Popular, a Praça JK, a Estação de Catamarãs, no Charitas, e o MAC, símbolo que destacou Niterói para o mundo e figura entre os seus projetos mais conhecidos. Agradeço o carinho que teve por nossa cidade e as obras dedicadas à nossa população.

No ano do centenário do arquiteto, em 2007, conseguimos aprovar a lei que tomba o MAC e preserva o patrimônio arquitetônico e cultural do museu. Em 2010, tive a oportunidade de estar ao lado de Niemeyer quando inauguramos a Fundação que recebe seu nome. Foi um momento muito especial e importante para nossa cidade. Em 2011, aos 104 anos, Niemeyer tornou-se patrono do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU-RJ).

Morre com ele uma pequena parte da história recente do Brasil. Mas seu legado será eterno. Inspiração para muitas gerações. Vá em paz!

Oito anos sem Leonel Brizola

Na quinta-feira (21), completaram oito anos da morte de um dos mais destacados líderes nacionalistas do país. Ex-presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, viveu pela política brasileira e deixou um legado de grandes realizações. Morreu aos 82 anos no dia 21 de junho de 2004, de infarto decorrente de complicações infecciosas, no Rio de Janeiro.

Nascido em Carazinho, no Sul do país, e filho de camponeses pobres, Brizola estudou em Passo Fundo e em Viamão, antes de ingressar no curso de engenharia civil da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, onde se formou em 1949. Lançado à vida pública por Getúlio Vargas, sofreu uma grande derrota política, ao perder a disputa pela Prefeitura de Porto Alegre, em 1951.

Mesmo assim, continuou trabalhando nos bastidores e voltou à Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, em 1954. Como parlamentar, fez discursos veementes defendendo a implantação da reforma agrária e a distribuição de renda no Brasil.

Com a popularidade crescendo muito, Brizola não teve nenhuma dificuldade nas eleições de 1958, quando se elegeu governador do Rio Grande do Sul, com mais de 55% dos votos válidos. Erradicou 50% do analfabetismo entre os gaúchos e deixou mais de três mil escolas gratuitas naquele estado para que todas as crianças tivessem acesso à educação. Em 1962, pela primeira vez, foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara, com uma votação recorde de 269 mil votos.

Com a deposição do presidente João Goulart pelos militares, em 1964, Leonel Brizola foi obrigado a se exilar no Uruguai. Voltou ao Brasil somente em 1979, com a Lei da Anistia.

Brizola fundou o PDT em 1980, partido pelo qual foi eleito governador do Rio de Janeiro por duas vezes. Implantou o programa de educação integral, construindo 500 CIEPs. Sempre lutou sob a inspiração do nacionalismo e do trabalhismo, pelo desenvolvimento do país, por mais dignidade para o povo brasileiro, pelos direitos e conquistas do trabalho e da educação. Também por duas vezes concorreu à Presidência da República. Ao longo dos quase 60 anos de vida pública, deixou um legado de grandes ações que o fizeram estar, hoje, entre os grandes heróis de nossa nação. Ao lado de Neiva Moreira, lutou para propagar a ideologia trabalhista pelo Brasil e também pela América Latina.

Em fevereiro deste ano, foi homenageado com o lançamento do livro ‘Leonel Brizola – A Legalidade e Outros Pensamentos Conclusivos’, dos jornalistas Oswaldo Maneschy, Apio Gomes, Paulo Becker e Madalena Sapucaia, na Associação Brasileira de Imprensa (ABI), no Rio, e depois relançado na Câmara de Vereadores de Niterói. Estive presente nesse primeiro momento e pude sentir a emoção de relembrar uma parte da trajetória do político idealizador, que foi Leonel de Moura Brizola.

Por tudo isso, Brizola vive.