Novo Mergulhão: alto investimento que já começou causando transtornos

Um dia depois de inaugurado o novo Mergulhão de Niterói, o que se via era o local alagado (a Prefeitura afirma que cabos foram roubados) e horas de congestionamento, consequências da chuva da noite de sábado. Nada muito anormal para uma obra cujo projeto inicial sofreu alterações.

No croqui original do arquiteto Jaime Lerner era previsto a integração com o sistema de transporte. Na verdade, este era o principal objetivo do projeto. A passagem dos ônibus seria por cima do mergulhão e seria instalada uma estação modal próximo ao Hospital Antonio Pedro para os passageiros saltarem e fazerem baldeação para outros pontos da cidade. Fora outras intervenções.

Foi planejada a transferência das faixas exclusivas dos ônibus da Rua da Conceição e Dr. Celestino para a Avenida Amaral Peixoto. Se essa mudança fosse mantida, iria desafogar boa parte do fluxo dos automóveis que vão do Centro à Icaraí. Cerca de mil veículos/hora no horário da tarde. Nada disso aconteceu, e os coletivos continuam na Dr. Celestino, tornando obrigatório para os automóveis do Centro, seguir pela Coroel Gomes Machado, gerando grande congestionamento na via.

Uma quarta via deveria ter sido criada na Marquês do Paraná, sentido Icaraí para o Centro para substituir, na parte da manhã, a reversível que era montada no contrafluxo da via, das 6h às 10h, horário de pico. Para que o congestionamento da Ponte não prejudicasse o acesso ao Centro, essas faixas teriam que ser divididas por cones, sendo duas para a Ponte e as outras duas para o Centro, que deveriam ser colocados desde o acesso da Amaral Peixoto até a Roberto Silveira.

O projeto que havia custado R$ 600 mil ao município, foi simplesmente arquivado pela prefeitura. É bem pouco provável, agora, que as alterações viárias implantadas beneficiem o transporte coletivo com a prometida redução de 30% no tempo de percurso da Ponte Rio-Niterói em direção à Zona Sul da cidade. Vê-se o resultado do dia seguinte…

Pelo projeto inaugurado há poucos dias, os coletivos têm que continuar dando a volta pela Avenida Amaral Peixoto, passar pela Praça da República e subir a Dr. Celestino para chegar a Icaraí. Além disso, a estrutura, que deveria ter originalmente sete metros, foi entregue à cidade com 6,40 metros. É evidente que esse Mergulhão inaugurado, orçado em R$ 16 milhões pela atual gestão, não vai solucionar o problema do trânsito de Niterói. Um alto investimento que já começou causando transtornos.

Projeto Lerner enfim sai do papel

Fiquei muito feliz ao retornar de viagem e encontrar o início das obras do mergulhão entre as avenidas Marquês de Paraná e Amaral Peixoto. A passagem vai melhorar a fluidez do trânsito naquela região que sofre com os engarrafamentos diários e é parte importante do Projeto Lerner do qual sou entusiasta.

Essa é primeira grande obra a ser executada que é sugerida no projeto. Mas a execução do conjunto de propostas continua sendo importante e não pode ser esquecida. As mais significativas são as que organizam o sistema de transporte público de Niterói. É preciso criar corredores de ônibus, construir os terminais e reorganizar os itinerários, criando, inclusive, novas linhas. A cidade precisa ter um transporte coletivo de qualidade e funcional onde a sustentabilidade no trânsito seja o objetivo maior.