Barcas: nova concessionária, velhos problemas

Esta semana, o secretário de Estado de Transportes, Rodrigo Oliveira, apresentou, na Associação Comercial e Industrial, no Centro, o modelo de licitação para nova concessão das barcas, uma vez que a atual concessionária, a CCR, entrou com ação para rescisão do contrato, alegando problemas financeiros. É fato que o transporte por barcas sempre foi a melhor opção para quem precisa transitar entre Rio e Niterói. Mas, até certo ponto, as dificuldades encontradas – filas intermináveis, atrasos e superlotação – superam os benefícios.

A empresa que assumir a administração do sistema aquaviário terá desafios pela frente. Sobretudo, lidar com a insatisfação dos passageiros, uma vez que foi anunciado pelo Governo do Estado o fim da tarifa social das barcas. O desconto do Bilhete Único gera um abatimento em duas passagens por dia para os usuários. Que faz muita diferença no bolso. Mas, bem verdade, é que esse benefício vem sendo reduzido ano a ano: caiu de R$ 1,70, em 2014, para atuais R$ 0,90 sobre o valor da passagem, que custa R$ 5,90. 

Outro ponto abordado foi a negativa da implantação do catamarã social em Charitas. A justificativa é a demanda mínima de usuários. Seriam necessários 40 mil passageiros para justificar a implantação da tarifa social nesta linha, segundo estudos da Fundação Getulio Vargas (FGV). Hoje, o bilhete Charitas-Praça XV custa R$ 16,50 (sem regulamentação) e as embarcações não operam das 12h às 16h. 

Entre as minhas reivindicações, está justamente a importância de termos este período de tempo também operante. Assim como o retorno dos horários noturnos na linha Arariboia-Praça XV. Sem esquecer, claro, da necessidade de um estudo de viabilidade para implantação de uma linha ligando Niterói à Zona Sul do Rio. 

Vale destacar que empréstimo de R$ 330 milhões do Governo do Estado com o Banco do Brasil para a aquisição de nove novas embarcações e a ampliação das estações da Praça XV e Arariboia também foi alvo de questionamentos. Essas obras não foram realizadas e somente quatro dessas barcas chegaram ao Rio. Que, ainda assim, operam com tempo de viagem aumentado e com custo operacional maior do que as embarcações antigas. 

Durante o encontro, falou-se também das exigências que deverão ser cumpridas pela nova concessionária. O período de operação da empresa vencedora deverá ser de 20 anos. E, de acordo com a Secretaria de Estado de Transportes (Setrans), no prazo de um ano, deverão ser apresentados estudos de viabilidade para implantação da tão esperada linha Praça XV-São Gonçalo, e outra ligando os aeroportos Santos Dumont e Galeão. Certamente serão cobrados pela população. 

Quem acompanha minha trajetória sabe que defendo melhorias no funcionamento das barcas, principalmente, por também ser usuário do sistema. E, mais do que isso, luto por melhorias na mobilidade urbana, tema recorrente em minhas discussões. Até que a licitação esteja concluída e a nova empresa assuma a gestão das barcas, ficará a expectativa por um serviço operacional prestado com mais fluidez e conforto para seus passageiros, apesar das mudanças anunciadas. Ficarei atento e vou acompanhar de perto todo o processo, cumprindo meu papel de cidadão. 

É muito importante difundirmos a ideia do uso da bicicleta

Incentivar o uso da bicicleta num país cuja cultura de progresso é ter carro é um desafio. E, também, uma forma de evitar os desgastes no trânsito, cada vez mais comuns. E diversas cidades brasileiras estão desenvolvendo ações em prol das bikes.

Um estudo feito em novembro do ano passado pela Tendências Consultoria para a Associação Brasileira do Setor de Bicicletas (Aliança Bike) mostrou que o Brasil é o terceiro maior produtor e quinto maior consumidor de bicicletas no mundo.

Em 2012, tivemos em Niterói o 1º Fórum Mundial da Bicicleta e o 2º Seminário sobre Mobilidade Urbana Sustentável onde foram discutidas, prioritariamente, questões acerca dos planos de estrutura das cidades, no sentido de cobrar mais participação das bikes no sistema de transporte.

Eu mesmo sempre fiz essa cobrança. Uma discussão que iniciei quando fui vereador de Niterói e que busquei garantir quando elaborei o Estatuto da Bicicleta. Pedalar é um hábito saudável, que está conquistando cada vez mais adeptos. Além de ser um modo de vida muito mais prático.

Em fevereiro acontece, em Curitiba, a terceira edição do Fórum Mundial da Bicicleta, que tem como objetivo estimular a integração entre os ciclistas e as cidades, e repensar a organização e o planejamento urbano. Será um evento aberto, gratuito e colaborativo.

Se levarmos em conta que o Código de Trânsito Brasileiro já possui normas de conduta para o tráfego compartilhado de veículos motorizados e bicicletas, devemos persistir nas ações que estimulem sua utilização, garantida e regulamentada pelo CTB.

Questões como a falta de estrutura nas cidades, tanto para as magrelas como para os pedestres, estarão em discussão. É muito importante difundirmos a ideia do uso da bicicleta como prática esportiva, meio de transporte e também a importância do seu papel na mobilidade urbana.

Mobilidade urbana em destaque

A mobilidade urbana está em destaque nos debates e projetos que temos acompanhado. Esse é um tema antigo que defendo e que ganhou forte aliado no inicio deste ano, quando o Governo Federal sancionou a Lei 12.587/2012 que institui diretrizes da Política Nacional de Mobilidade Urbana. Nesses últimos dias, participei de alguns eventos relacionados ao tema.

Na semana passada, estive presente no 2º Seminário Sobre Mobilidade Urbana Sustentável, no auditório da Universidade La Salle, em Santa Rosa. Discutimos questões de prioridade no planejamento urbano e tivemos um encontro muito proveitoso, que resultou na assinatura de um convênio destinado a estruturar as várias modalidades de deslocamento da população, firmado entre a Nittrans e o Instituto de Política de Transporte e Desenvolvimento (IDTP).

No seminário, assisti também uma palestra muito interessante da especialista inglesa Jessica Morris sobre a concessão de espaço para o uso de automóveis, com ênfase na valorização dos espaços disponíveis para as pessoas, os ciclistas e o transporte público coletivo de qualidade.

O domingo (17), participei de um passeio ciclístico de encerramento do seminário, que foi do Museu de Arte Contemporânea (MAC), no Ingá, até o Museu de Arte Moderna (MAM), no Aterro do Flamengo, no Rio, onde acontece a Cúpula dos Povos, um dos eventos do Rio +20.

Na terça-feira (19), participei de uma palestra sobre ciclocidadania, na Imprensa Oficial, no Centro de Niterói, onde foi possível refletir a mobilidade urbana e a inserção comunitária através do uso de bicicletas.

O projeto de uma nova ciclofaixa da Grota do Surucucu, em São Francisco até as Barcas, passando pela Avenida Roberto Silveira, deverá implantado em breve. Ao todo, são 18 quilômetros de ciclofaixas, cinco quilômetros de ciclorrotas, que são caminhos, sinalizados ou não, que demarcam a rota recomendada para o ciclista e quinhentos para-ciclos (estacionamentos para bicicletas) distribuídos pelo município. Este é um dos temas pelos quais também milito desde 2001, e que resultou, inclusive, no Estatuto da Bicicleta para Niterói.

Recentemente tivemos no Rio de Janeiro a inauguração do primeiro sistema BRT do Estado. O modelo segue em fase de teste até o dia 23, mas já representa um avanço na vida de muitos cidadãos que utilizam esse meio de transporte. Assim, como o projeto da Linha 3 do Metrô que em breve sairá do papel e evidencia que conceitos como mobilidade urbana e transporte sustentável estão na pauta das políticas públicas atuais.