A ocupação das comunidades de Niterói e a segurança dos moradores são necessidades urgentes


A chegada dos 400 policias anunciados pelo secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, para atuar em Niterói é uma resposta positiva às muitas manifestações realizadas pelos moradores em busca de mais segurança para nossa cidade.

Esses homens do Comando de Operações Especiais (COE), entre eles agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Batalhão de Policiamento de Choque (BPChq) estão no Complexo do Estado, que compreende os morros do Arroz e Chácara, na região central, e o Morro do Palácio, no Ingá.

A ocupação deve durar até a próxirma semana, quando os policiais devem deixar os morros de Niterói para dar lugar aos agentes do 12º BPM, que vão reger a operação. 70 homens serão enviados e manterão um esquema de escala diversificado, mantendo um mesmo quantitativo em cada comunidade.

Os agentes do COE estão posicionados em uma base instalada no antigo imóvel do Departamento de Policiamento Ostensivo (DPO), no Morro do Estado, e em uma base móvel no Morro do Palácio. Além das ocupações, há outros planos de policiamento já em andamento, como as duplas de policiais circulando nas ruas.

A previsão é que tão logo devem ser instaladas as bases provisórias no antigo local do Grupamento de Policiamento em Áreas Especiais (GPAE), no Morro do Estado. Já no Palácio, a base será implantada perto do campo de futebol que fica no alto da comunidade.

Em uma das muitas audiências públicas realizadas na Câmara para debater a segurança de Niterói, recebi dos moradores um documento que relatava o aumento de violência em Pendotiba. Logo em seguida entreguei, em mãos, essa relação ao governador Sergio Cabral e pedi providências.

Esse, sem dúvidas, é mais um importante passo para o processo de pacificação do Estado do Rio. Um ganho não só para quem vive nessas comunidades, mas para todos que vivem também no entorno dos morros. Um ganho para Niterói. Uma necessidade urgente.

Maioria esmagadora da população apoia ocupação – por quê?

Complexo do AlemãoQuando a polícia ocupa uma favela, o que acontece lá não é brincadeira. A pressão que o policial enfrenta no momento da ocupação não o ajuda a manter seu bom humor. A arma que ostenta nos braços acaba fornecendo a ele poder de decisão sobre a vida ou morte de pessoas. A resposta que o tráfico oferece é apenas mais um ingrediente de uma mistura que se torna definitivamente perigosa.

A cena pode ser bacana num filme de ação. Mas deixa de ser quando o inocente morto é um amigo seu. A ocupação de favelas pela polícia sempre foi considerada uma política bem vista pela maioria das pessoas, mas no capítulo do Complexo do Alemão a coisa atingiu um nível antes inimaginável: 88% da população aprovou a incursão da polícia. Significa dizer que, aproximadamente, 9 em cada 10 pessoas aprovam a operação. É uma aprovação mais significativa que a do governo Lula no seu auge.

Enquanto lia sobre isso, me perguntava o porquê. A resposta mais clara é que a população ficou terrivelmente amedrontada com os ataques iniciados pelo tráfico no último 21 de novembro. A tal ponto que chancelaria qualquer medida tomada pelas polícias.

Reitero o que já disse anteriormente aqui: acho que a ocupação foi muito bem conduzida e, como tal, merece o reconhecimento. Depois de um longo tempo no qual parte considerável da população enxergava a polícia como bandidos e os traficantes como mocinhos, é claro que trata-se de uma boa notícia.

No entanto, a situação preocupa. Afinal de contas, se a guerra é autorizada, é provável que enfrentemos outros episódios como os vividos nessas duas semanas antes que a situação possa ser de fato normalizada.