A participação da família na formação do jovem leitor

Ler é essencial e sempre será a melhor forma de aprendizado. E transformar a leitura em um momento agradável para as crianças pode ser a chave para a formação de jovens e adultos leitores. A leitura em família, inclusive, é apontada por especialistas e professores como estímulo ao vínculo afetivo. Algo que propicia uma relação mais forte entre pais e filhos.

Concordo plenamente. E pratico esse hábito em casa, com minhas filhas Clara e Mariana. Sempre que passo por uma livraria compro algo novo para lermos juntos. Penso que a criança estimulada a encontrar o livro desde cedo tem uma relação prazerosa com a leitura, e não uma relação de obrigação.

Recentemente, a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, divulgou que cerca de 90% daqueles que gostam de ler ganharam livros em algum momento da vida. E é justamente por meio da leitura que as crianças têm acesso ao conhecimento, à cultura, fatores importantes para a formação dela como cidadãos críticos.

Outra discussão bastante interessante é o que chamam de leitura mediada, base do projeto Roedores de Livros, do Distrito Federal. A iniciativa promove leituras em grupo com crianças e jovens de cinco a 14 anos, além de funcionar como uma biblioteca. O dia a dia da criança com o livro traz um enriquecimento muito grande para o seu futuro.

Mas de nada adianta dizer que a leitura é importante, que a criança tem que ler, se os pais não dão o exemplo. A lição começa em casa.

O protagonismo juvenil é um potente motor para a sociedade

Uma enxurrada de juventude e motivação. Esse é o cenário contagiante que estamos vendo nas ruas nos últimos meses. Os jovens que saíram para pedir mudanças na política do Brasil e aqueles que vieram de outros países para participar da Jornada Mundial da Juventude tiveram razões diferentes. Mas estavam todos movidos por uma aspiração única: a motivação para fazer um mundo melhor.

Esse protagonismo dos jovens se traduz num ganho de autonomia, autoconfiança e autodeterminação numa fase da vida em que eles estão empenhados na formação de sua identidade pessoal e social.

A participação ativa e construtiva do jovem que está buscando um novo tipo de comprometimento é um motor potente para a sociedade que ganha, com isso, em democracia e em capacidade de enfrentar e resolver os problemas que a desafiam. A energia, a generosidade, a força empreendedora e o potencial dos nossos jovens é uma imensa riqueza.

Uma juventude que se manifesta e que quer mudanças e transformações. Uma juventude que se une pela fé. Um patrimônio que o Brasil precisa aprender a utilizar da devida maneira.

Participação popular na reforma política: já!

A reforma política está sendo discutida novamente no Congresso. Até o momento, a única tendência visível é na direção de se fazer um referendo da proposta aprovada. Qual será a proposta aprovada? Não se sabe. Sabe-se apenas que ela será submetida a um referendo. Isso me traz alguns questionamentos.

O primeiro deles é: por que o Congresso não pode ouvir a população antes de elaborar a proposta? Ouvir o que ela pensa é a melhor forma de orientar os trabalhos dos parlamentares. O que estamos discutindo é a maneira através da qual o Brasil vai participar do processo político. Deveríamos começar ouvindo quem tem maior interesse nisso: o povo brasileiro.

Se o Congresso ficou 20 anos para realizar uma reforma política sem obter sucesso, porque fazer tudo às pressas agora? A ida da população às ruas em junho gerou um clima de pressão grande no trabalho dos parlamentares e a resposta que a Câmara preparou é a aprovação de uma reforma a toque de caixa.

A juventude que foi às ruas deixou claro que quer participar do processo político brasileiro com mais frequência do que de 4 em 4 anos. Ela quer inclusive ter o direito de revogar o mandato daqueles parlamentares que não cumprirem o que prometeram durante as eleições. Será que os nossos representantes no Congresso estão preparados para se submeter a esse processo?

Aliás, por que não envolver cada vez mais a população nas decisões políticas do país? Desde cedo, aprendi que política não se faz sozinho, mas com um grupo de pessoas atuando em prol do bem comum. Por onde passei, sempre promovi reuniões, audiências, consultas e diversas formas de participação da população nas decisões mais importantes. Aprendi algumas coisas com isso, entre as quais gostaria de destacar:

1. Quanto mais você escuta, mais você aprende.

2. Quanto mais o povo participa das decisões, mais ele respeita e defende o que é combinado.

3. Quanto mais pessoas participam de uma decisão, mais legitimidade ela tem.

4. Quanto mais gente é ouvida, menores são as chances de errarmos.

5. Quanto mais você coloca o povo na frente, mais ele caminha ao seu lado.

Os parlamentares já discutem há muito tempo essa reforma política. O momento de dar voz ao povo nesse assunto é agora.

Só com plebiscito garantiremos participação popular

Na última semana, o país começou a discutir a possibilidade de organização de um plebiscito para fazer a sua reforma política. A ideia chegou a ser combatida como “desperdício de dinheiro público”, “cheque em branco para os deputados” e “muito complexa para ir a voto popular”.

Sempre que alguém quer tomar uma decisão rápida, entre poucas pessoas, sem ouvir a população, usa-se o argumento da dificuldade. Sem dúvida, a razão nos ensina que ouvir 500 pessoas é muito mais simples que ouvir 190 milhões. No entanto, assumindo que de fato a coisa fosse mais simples, ainda caberia aqui uma outra pergunta: é mais justo?

Certamente, algumas pessoas se apressarão em reconhecer o papel de cada poder. E farão questão de me lembrar que o Brasil possui um Parlamento justamente para debater questões como a reforma política. O povo brasileiro elegeu os parlamentares. Logo, as decisões do Parlamento serão sempre representativas do povo brasileiro, correto?

Não necessariamente.

Eu posso conferir procuração para qualquer pessoa decidir o que quiser em meu nome. Eu não sou obrigado a concordar com todas as suas decisões, mas se eu fiz a procuração é porque considerei que, no geral, a pessoa merecia minha confiança.

A situação que vivemos hoje, contudo, é um tanto peculiar. O que observamos no mês de junho foram dois milhões de pessoas indo às ruas para dizer justamente que elas não se sentem representadas por aqueles que ajudaram a eleger!

O que a população está dizendo para os políticos é justamente que chegou o momento de envolvê-la nas decisões mais importantes! Longe  de creditarmos isso ao caos, o que devemos fazer é louvar, pois trata-se de um importante sinal de amadurecimento político. Nas democracias mais antigas, é fato comum realizar plebiscitos e referendos junto com eleições. Por que não fazer o mesmo no Brasil?

Nossa Constituição já nos garante diversos mecanismos de participação popular nas decisões políticas. Desde 1988, no entanto, só ouvimos o povo em duas ocasiões: para definir o nosso sistema de governo e para referendar a nova política sobre armas implantada pelo Congresso. Temos que usar estes instrumentos com mais frequência!

Não tenho a menor dúvida que usar dinheiro público para ouvir a população é muito mais vantajoso e útil do que usá-lo para consertar vidros quebrados. Quanto à noção de que a reforma política é muito complexa para ir a plebiscito e que a forma correta de consulta seria um referendo, também quero discordar.

A reforma política está há 20 anos sendo discutida e até o momento não foi possível chegar a uma maioria qualificada no Parlamento sobre nenhum dos pontos centrais da reforma. Isso me traz duas reflexões.

A primeira é que, se os representantes do povo não conseguem consensualizar em torno da reforma, porque não garantir ao próprio povo, que tem a prerrogativa de decidir com maioria simples, o direito de definir como quer escolher seus representantes?

A segunda é: se o Congresso levou 20 anos para evoluir muito pouco da reforma política, porque de repente “só faz sentido se valer para 2014”? Não seria mais interessante organizar o plebiscito, explicar as diferentes propostas para a população, e ouvi-la num prazo adequado para a compreensão da proposta?

Saio com a opinião de que ouvir a opinião do povo, manifestada diretamente através do voto, e não apenas através de seus representantes, é de fato a melhor forma de conduzir os anseios levados às ruas pela população. Este episódio, aliás, parece nos ter ensinado algo que até a razão desconhecia: pode ser sim mais simples ouvir 190 milhões de pessoas do que 594 congressistas.