A segurança depende de cada um de nós

Há muito tempo sou um militante da área da segurança pública. Foi aos 21 anos que decidi dar início ao Movimento Niterói Com Segurança, que mobilizou a população no fim da década de 90 para cobrar melhorias para a segurança pública em nossa cidade.

Na época, obtivemos vitórias importantes. A principal delas foi trazer o policiamento comunitário para a cidade de Niterói, inicialmente implantado em Santa Rosa e depois estendido para outros bairros da Zona Sul, da Zona Norte e da Região Oceânica, com mais de 100 policiais envolvidos.

Infelizmente, com o passar dos anos, o policiamento comunitário foi sofrendo diversos revezes até ser completamente desativado. Este processo foi continuamente denunciado e cobrado em nossos mandatos.

Verdade seja dita, tudo o que conquistamos foi sempre através da mobilização e reivindicação. Quando a população se une pra dizer o que precisa, as coisas acontecem de fato. Por isso quero parabenizar o engajamento da população de Niterói que recentemente voltou a lutar por mais segurança para a cidade. Os habitantes trouxeram à tona problemas que precisavam ser enfrentados de fato.

O governador Sergio Cabral ouviu o que Niterói falou. E nossas autoridades de segurança locais também. Como resultado, estamos recebendo noticias muito positivas, como o aumento do efetivo do 12º Batalhão e a reativação do policiamento comunitário. Trinta policiais militares foram remanejados para Niterói e estão recebendo o treinamento do programa de Policiamento Comunitário coordenado pela major Íris Milena, cedida pelo Comando Geral da PM por três meses para ajudar o 12º BPM a reativar o programa.

A Prefeitura de Niterói também agiu e autorizou a contratação imediata de 100 PMs lotados no Batalhão de Niterói para trabalharem em dias de folga na Guarda Municipal, dispositivo previsto com recursos do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis). O policial que trabalha sob o sistema do Proeis é beneficiado com aumento na renda e o segundo emprego autorizado. Em contrapartida, a cidade terá mais policiais nas ruas.

Na reunião de terça-feira (20), além dessas informações serem melhor detalhadas, houve também o compromisso de trazer o Comandante Geral da PM à cidade para que ele também ouça os apelos da população.

Na oportunidade, reiterei a importância da volta dos Conselhos Comunitários de Segurança para que os representantes de cada bairro estabeleçam contato direto com o 12º BPM, vereadores e a Prefeitura, como ocorria no passado. Através dessa instância, a população terá instrumentos para continuar persistindo no retorno de antigos projetos como ponto eletrônico, comunicação por rádio e o monitoramento por câmeras que tanto fazem falta para a cidade.

Naturalmente, houve críticas ao tempo de resposta do combate à criminalidade, como também meu posicionamento em relação às ocorrências que atemorizam a cidade. Quando me dispus a ir a essa reunião com o comandante, eu sabia que ia ouvir. Sabia que era colocar a “cara a tapa”. Mas nunca foi do meu temperamento abandonar as causas que eu defendo porque A ou B não gostam de mim, não gostam que eu seja do PDT, ou não gostam do governo Cabral.

Como morador de Niterói, fico igualmente preocupado com a situação que a cidade passa. Portanto, pretendo continuar organizando reuniões em outros bairros, porque este é um assunto que domino e desejo ver resolvido. É também um pedido do próprio comandante. Ele, inclusive, gostou muito da reunião em São Francisco e reitera que está disponível para a população. A resposta completa está publicada no Facebook.

O novo cenário da segurança pública de Niterói

Niterói passa por mudanças no setor de segurança pública. E, ao que tudo indica, para melhor.

Uma delas está no recebimento de 73 novas viaturas na semana passada. A medida faz parte do programa do Governo do Estado para renovar a frota da Polícia Militar.

Todos os veículos possuem computador de bordo e ar-condicionado. O primeiro item pretende trazer mais agilidade no serviço da polícia. O segundo vai proporcionar mais conforto para o policial que é obrigado a trabalhar fardado, inclusive durante o verão. No futuro, cada viatura vai possuir uma câmera para registrar a atuação dos policiais.

Existe hoje todo um esforço do Estado para melhorar de estrutura da Polícia. Cenário bem diferente de alguns anos atrás. Lembro a época em que era subsecretário regional de Icaraí e realizei uma campanha para arrecadar dinheiro a fim de consertar e reformar algumas viaturas que circulavam no bairro.

Outra novidade vem do comando geral da PM. Recebi com satisfação a decisão do novo comandante geral, coronel Erir Ribeiro, de evitar substituições nos comandos dos batalhões antes de um ano.

A proposta de Ribeiro é instituir um sistema de mandato aos comandantes dos batalhões. Se após um ano de gestão o resultado do trabalho for satisfatório, os comandantes receberão mais um ano para dar seguimentos aos projetos.

A resolução veio em um momento em que Niterói viu o comando do 12º BPM ser trocado três vezes este ano. Com uma rotatividade tão intensa torna-se impossível conhecer a nova área e se aproximar da comunidade adequadamente. E a boa atuação da polícia está diretamente ligada ao bom relacionamento com a comunidade.

Por isso, considero ser muito importante manter por, pelo menos, dois anos o mesmo comandante no cargo. Isso vai garantir retomar os bons projetos que Niterói já teve, mas que se perderam com o troca-troca.

O próximo passo, agora, é ver atendida uma antiga solicitação: o aumento do efetivo. Eu entendo ser hoje a prioridade do governo formar novos policiais para as UPPs, mas não se pode desconsiderar a necessidade das outras cidades. E Niterói tem demandas semelhantes às da cidade do Rio, além de fazer parte da Região Metropolitana, ser uma cidade estratégica e ex-capital do Estado. Continuamos no aguardo!

Tolerância zero na PM

A Polícia Militar deu um passo importante no combate à impunidade dentro da corporação. A partir de hoje, estão expulsos 30 PMs por desvio de conduta sob a acusação de tortura, formação de quadrilha e tentativa de homicídio. Crimes nefastos que deveriam ser coibidos por estes profissionais, mas que são praticados por alguns maus integrantes na certeza da falta de punição.

Esse fato serve de aviso aos policiais desonestos de que as coisas estão mudando. A população não aguenta mais os casos de impunidade e o governo está respondendo. É preciso devolver ao povo a confiança na Polícia. E organizar a casa, acabando com o mal por dentro, é o melhor caminho. Porque lugar de bandido é na cadeia e não ostentando uma insígnia nas ruas.

O novo comandante-geral da corregedoria, Coronel Menezes, está assumindo um grande desafio, pois terá que lidar com o corporativismo interno, o medo dos bons policiais em denunciar os colegas, o medo das testemunhas entre outras variáveis que estão nas entranhas do sistema e emperram as investigações. Mas tudo precisa ter um começo para que o processo se inverta. E esse é um bom exemplo. Tolerância zero.

Mais uma vez, a violência se sobrepõe à segurança

Violência no Rio de JaneiroAlguns dizem que estava demorando pra acontecer. Talvez por oportunismo, talvez por razão. Mas a verdade é que algumas coisas já apontavam mesmo para a onda de violência que tomou conta da Região Metropolitana nos últimos dias. Os mortos já passam de duas dezenas.

O projeto das UPPs, que agora está sendo amplamente criticado, é de fato muito bom e deve ser defendido. No entanto, não podemos nos esquecer que até o momento ele só foi implantado nas proximidades de instalações olímpicas. Nas áreas onde estão acontecendo as cenas de barbárie não existem nem UPP nem o saudoso Policiamento Comunitário. Na verdade, boa parte delas mal tem policiamento.

Para dar início ao projeto das UPPs, o governo foi aproveitando todos os policiais recém-formados no Estado. Com isso, outras localidades acabaram não recebendo novos efetivos ao longo desse período, tendo seu policiamento prejudicado. Eu defendo que o projeto das UPPs, assim como o Policiamento Comunitário, seja mantido e estendido a todo o Estado. E é claro que para isso dar certo será preciso ter reforços.

A intenção do governo é continuar resolvendo o problema com a formação de novos quadros da PM. Acredito que é mesmo a melhor saída, mas que só será viável se a PM do Rio deixar de ter um dos menores salários do Brasil.

Para evitar situações como essa que estamos vivendo, é fundamental que o projeto vá além do “eixo olímpico carioca”. É preciso que a política de combate à violência esteja presente em todo o Estado. Do contrário, só o que conseguiremos ter são ilhas de tranquilidade falsa – verdadeiros guetos às avessas.