TSE censura políticos no Twitter

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu ontem, por 4 votos a 3, que candidatos a cargos eletivos não podem usar o Twitter para publicar mensagem de caráter eleitoral antes do período permitido por lei (6 de julho). Os ministros consideraram o microblog como meio de comunicação de massa, assim como a TV e o rádio. A proibição já vale para este ano e se estende as demais redes sociais como Facebook e Orkut.

Discordo dessa avaliação. Penso que as redes sociais são espaços ondes as pessoas se associam por vontade própria e estabelecem um diálogo. É um canal de comunicação sim. Mas não de massa. Sua dinâmica em nada se compara com o modelo passivo e abrangente de veículos como a TV e o rádio. No meu entendimento, existe uma diferença entre divulgar uma mensagem, foto ou vídeo no Twitter e um comercial no intervalo do Jornal Nacional.

A posição do ministro Gilson Dipp exemplifica minha opinião. Ele votou contra a proibição e considera as redes sociais uma forma de “propaganda eleitoral lícita, doméstica, caseira, feita entre conhecidos, fora do objeto da proteção que a lei pretendeu, estando assim livre em qualquer período”.

A ministra Carmen Lúcia também acredita que as redes sociais não sejam meios de comunicação tradicionais. E sim espaços para conversa. “As pessoas conversam e, em vez de ser uma mesa de bar, é uma mesa de bar virtual. Nós vamos impedir que as pessoas se manifestem?”, foram as palavras durante seu o voto.

Aqueles que votaram a favor da proibição defendem que o alcance das redes sociais é incontrolável e, por isso, as publicações também se enquadram na definição de autopromoção. Mas esse conceito é muito subjetivo. O que seria autopromoção na rede social? Se um político que deseja ser candidato for a um evento, registrar sua presença com uma foto e publicar em seu perfil estará cometendo uma infração? Se uma pessoa entrar no perfil do pré-candidato e fizer uma pergunta (ou uma acusação) sobre um tema pertinente à eleição ou uma bandeira a que defende, será preciso omitir-se de opinião sob o risco de ser multado?

A determinação do TSE vem aprofundar ainda mais a hipocrisia que envolve as campanhas eleitorais. A forma como se realizam hoje, com prazos curtos e limitados, apenas jogam a população contra os partidos e os políticos. Deixa uma sensação de que os candidatos só aparecem em períodos eleitorais e abandonam a população no momento seguinte. Contudo, todos sabem que a agitação em torno de uma eleição ocorre muito antes do período regimental. Basta ler os jornais e os debates nos grupos das próprias redes sociais.

Situações como esta só serão resolvidas de fato com a Reforma Política. E este tema deve constar na discussão no sentido de abrir mais a possibilidade da interação entre político e cidadão de maneira a aproximar mais a sociedade do debate político.

Surgem novos desafios

Como representante público, sei das minhas obrigações e responsabilidades. Por isso sempre mantive um contato permanente com as pessoas que vivem em nossa cidade.

Por acreditar na importância do dialogar permanente, tenho procurado transformar a comunicação com todos os cidadãos que consultam e buscam soluções em resultados positivos através da mídia eletrônica. Hoje tão difundida em sites, blogs, e-mails e afins. Os tempos mudaram. A nova comunicação viaja numa velocidade em que o tempo não pára e o amanhã é agora.

Com a eleição para deputado estadual, na condição de candidato estreante ao pleito, acredito ser de grande responsabilidade essa representatividade que a mim foi depositada quando eleito o vereador mais votado em toda a história de Niterói.

Busco a continuidade dessa representação política, agora em um patamar mais amplo, pois irei atuar em todo Estado. Esse novo desafio pretendido me conduz a novos enfrentamentos que, em meio ao que já consolidei, passa a ser considerado também como enorme responsabilidade.

Eu, como candidato a deputado estadual do Rio de Janeiro, tenho defendido o uso democrático da mídia eletrônica, tão difundida nas redes sociais.

Uma ferramenta de trabalho que o Poder Público deveria se preparar

Quando a Internet em nosso país será de fato “democratizada”? Apesar das lan house, das escolas e universidades, dos cybers cafés, o acesso ainda é restrito aos brasileiros. Porém, para estas eleições de 2010, já podemos observar e avaliar o quanto a internet está sendo utilizada por diversas classes sociais.

De acordo com estimativa do IBOPE, este número já ultrapassou os 65 milhões de usuários, considerando-se que a pessoa se conecta de qualquer tipo de lugar, seja residência, trabalho, biblioteca ou telecentro. Estamos conversando com um terço da nossa população.

No entanto, é inegável que a grande rede seja hoje o espaço mais aberto e ampliado de discussão política em qualquer lugar do mundo. Qualquer indivíduo conectado é capaz de multiplicar seu pensamento numa velocidade nunca imaginável anteriormente – e a política ganha muito com isso.

Uma pesquisa recente feita pelo Facebook, nos Estados Unidos, comparou as redes sociais na internet e o resultado foi que, em média, as pessoas influenciavam 10 amigos no mundo “real”, mas no mundo “virtual” este número saltava para 40.

No Brasil o potencial da internet tem contribuído para desvendar irregularidades. Foi através da disponibilização online de gastos do governo que se descobriu a farra dos cartões corporativos. Alguém ainda lembra ou já caiu na lixeira do esquecimento? Além disso, hoje é possível ter muito mais controle sobre os representantes eleitos pela internet. Facilmente descobre-se se ele está envolvido em algum processo judicial; que posições vêm adotando em determinados assuntos; como é o financiamento das suas campanhas.

As possibilidades vão sendo cada vez mais ampliadas e os limites são quebrados frequentemente. As ferramentas de comunicação permitem construir conteúdo de forma colaborativa e interagir de uma maneira antes inimaginável. Tentar impedir este avanço é tolo; ficar alheio é impossível.

Campanha na internet é objetiva. É dinâmica. Mas, principalmente, campanha na internet requer conteúdo. Talvez seja por isso que ainda encontre resistência por aí. Escrever com conteúdo é fundamental para se comunicar com todo o mundo.

Como candidato a deputado estadual no Rio de Janeiro, constitui uma equipe de comunicação para atender e atuar em todos os segmentos da internet por acreditar nesta ferramenta. O Poder Público, em todos os seus níveis, deveria fazer o mesmo.