Se o impacto é nosso, os royalties também deverão ser nossos

A Polícia Federal encerrou no dia 21 o inquérito sobre as causas do vazamento de petróleo ocorrido na Bacia de Campos no início de novembro. A empresa Chevron e sua contratada Transocean foram acusadas de cometer crime ambiental e sonegação de informações a autoridades. Este é mais um capítulo da tragédia que aconteceu em águas fluminenses. A maior do gênero no Brasil.

O inquérito ficou pronto antes mesmo que a vedação do poço fosse totalmente concluída. Isso demonstra a dificuldade de controlar o acidente e reforça o quão grave ele foi.

A PF acusa a petrolífera de irresponsabilidade ao assumir o risco de continuar com a operação no limite do permitido. A decisão provocou o escapamento de cerca de 3 mil barris de petróleo no mar. Uma ameaça ao litoral do Rio de Janeiro. Por sorte, tínhamos as correntes marítimas a nosso favor que levaram para longe o óleo. Caso contrário, o prejuízo ambiental alcançaria uma proporção ainda maior.

É cedo para dizer o nível do impacto do vazamento sobre o setor pesqueiro do estado. A priori houve uma redução do consumo em função do medo das pessoas do peixe estar contamidado. O que não sabemos precisar é o quanto o petróleo afetou a cadeia alimentar das espécies marinhas. Os plânctons, base da alimentação desses animais, são extremamente sensíveis ao óleo. Conhecer o prejuízo ambiental dependerá de um trabalho de pesquisa a ser realizado juntamente com o Ibama e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente. Mas esse estudo é de médio a longo prazo.

Certo mesmo será a punição às duas empresas. O Ministério Público Federal pediu essa semana uma indenização de R$ 20 bilhões à Chevron por danos ambientais e sociais. O Governo do Estado também pede uma compensação de R$ 150 milhões, mais um rigoroso monitoramento ambiental das suas atividades de exploração.

Entretanto, a multa tem um caráter mais punitivo que reparador. O dinheiro vai para um fundo de reparo de meio ambiente, mas a destinação não necessariamente vai para o local atingido. Isso dependerá de um ajustamento de conduta na Justiça.

Somente os royalties tem a destinação dos recursos indicada por lei. É por isso que defendo os royalties do petróleo para os Estados e Municípios Produtores. Se o impacto é nosso, os royalties também deverão ser nossos.

Será que, na nova lei, prejuízos assim como os causados pelo vazamento na Bacia de Campos também serão divididos por todos?

Tristeza gera Gentileza: 50 anos do incêndio no Gran Circus

Um dia de alegria que virou tragédia. Há quase 50 anos, Niterói foi palco do pior incêndio com vítimas do país. O episódio faz parte da história da cidade e ainda emociona.

O incêndio do Gran Circus aconteceu no dia 17 de dezembro de 1961. Um domingo e uma semana antes do Natal. Era o dia de estreia do circo. A sessão estava lotada. Os jovens de hoje podem não entender, mas o circo naquela época era uma grande atração. Todas as crianças queriam ir. Por dias, todos ficaram na expectativa das apresentações.

Quem é de Niterói certamente conhece alguém que foi, deixou de ir ou perdeu conhecidos no incêndio. Meus pais e tios, mesmo pequenos na ocasião, ainda lembram a confusão que se instalou na cidade após a notícia. No bairro do Pé Pequeno, por exemplo, um mutirão foi organizado para ajudar. Várias barracas foram montadas na rua para arrecadar donativos. Outros afirmam que a doação de sangue era feita na rua.

O trauma foi tão grande que, por muitos anos, a cidade deixou de receber os circos. E durante 50 anos, o caso permaneceu como uma memória velada. Coube ao jornalista Mauro Ventura a responsabilidade de recontar a história e lembrar a data no livro “O espetáculo mais triste da Terra”.

A obra destaca as versões conflitantes sobre as causas do incêndio, apresenta os relatos de sobreviventes e mostra como o evento marcou a trajetória dos cirurgiões Yvo Pitanguy, Liacyr Ribeiro e do empresário José Dantrino, o Profeta Gentileza, que, consternado com o fato, abandonou tudo para propagar mensagens de amor e caridade, eternizadas nos pilares da Perimetral do Rio de Janeiro.

Hoje, às 17h30, na Biblioteca Pública de Niterói, acontecerá a sessão de autógrafos do lançamento do livro. A entrada é gratuita.

Sem luz, celular e internet

Hoje foi mais um dia de trabalho pesado. Passei a manhã na Ceasa tratando do abastecimento do Estado. Na quinta tivemos uma alta nos preços de alguns produtos, como as hortaliças, mas ontem os valores já começaram a cair e hoje já estavam se normalizando.

À tarde, fiz algo que gosto muito: peguei a estrada. O motivo que me levou a isso, contudo, não era nada agradável. Meu destino eram cidades atingidas pelas chuvas que devastaram a Região Serrana na última semana.

Chegamos em Areal com 6 caminhões e 2 ônibus carregados de doações. O prefeito nos recebeu e disse que a tragédia só não foi maior porque conseguiu avisar pelo rádio e por carro de som que vinha muita água no rio por decorrência das chuvas. Areal tem hoje em torno de 1200 desabrigados, mas não registrou nenhuma morte. A equipe da Ceasa retornou dali para o Rio. Eu segui adiante para ver de perto o que tinha acontecido na região.

Na RJ-134, que liga Areal a São José do Vale do Rio Preto, muita destruição. A todo momento, éramos parados por moradores solicitando mantimentos. Como tinha pouca coisa no meu carro, cuidava sempre de perguntar: “Mais à frente existem pessoas em condições piores?” Por incrível que pareça, a resposta, na maioria das vezes, foi “sim”.

Destruição e abandono foi o que vi em Barrinha, Parada Morelli, Camboatá, Contendas, Queiroz e Águas Claras. Todas essas regiões carecendo de remédios, roupa de cama, colchonetes e roupa íntima. Em Parada Morelli, quando perguntei se tinham medicamentos, a resposta foi “nem comida nós temos, com remédio a gente se preocupa depois”. Nesses locais, que ficam à beira-rio, o nível da água chegou a 2,5m de altura.

Mas não vi apenas notícias ruins. Testemunhei a presença de diversos órgãos colaborando de alguma forma: Furnas, o Exército, o Inea, a Secretaria de Obras do Governo do Estado, a Delta, a Defesa Civil e a Polícia Militar.

São José do Vale do Rio Preto estava sem energia e telefonia, seja fixa ou móvel. A energia chegou a ser restabelecida por um tempo, mas se foi de novo por conta da instabilidade do terreno. A cidade dorme hoje com 6 geradores, que alimentam a Prefeitura improvisada, alguns serviços estratégicos e poços artesianos.

A água destruiu pontes. Em algumas comunidades não se tem acesso por carro e os alimentos precisam de barcos da Defesa Civil para chegar a seus destinos.

Há em torno de 1.500 casas destruídas e 5.000 desabrigados. O chefe de gabinete do prefeito me comunicou que está buscando alimentos na capital, mas não possui caminhões para buscá-los. Comprometi-me em garantir o transporte destes alimentos para lá, o que espero conseguir ainda neste domingo.

Agora estou em Três Rios, onde passo a noite. Amanhã continuo minha jornada, em direção a Sumidouro e Nova Friburgo.

Quando acontece uma tragédia

O Estado do Rio de Janeiro acaba de sofrer sua maior catástrofe dos últimos 40 anos. Só em Niterói, até o presente momento, são mais de 60 mortes e mais de 2000 desabrigados. São muitas as explicações físicas, geográficas e técnicas dadas pelas autoridades e pelos especialistas.

Enquanto isso, milhares de seres humanos ficam sem suas casas, sem comida, sem água, sem o mínimo de condições básicas de sobrevivência. Não é hora de lamentação. É hora de refletir e mobilizar a sociedade em torno de um único objetivo: SALVAR VIDAS!

Ontem (06/04/2010) vimos na internet uma grande cobertura espontânea de mídia e informação, nunca antes vista, através de vídeos, redes sociais, troca de e-mails e etc. Isso prova que o poder de comunicação e mobilização através dos meios de comunicação é muito grande! E que este poder, quando organizado, é capaz de produzir grandes transformações!

É preciso despertar em cada um, o sentimento mais belo que um ser humano pode ter: SOLIDARIEDADE! É preciso que cada um se coloque no lugar do seu próximo; daquele que perdeu sua casa e seus entes! É hora de despertar nas nossas crianças e jovens, o sentimento de que todos podem ajudar! E a ajuda não precisa ser muita coisa! Basta uma fralda, uma roupa, uma garrafa de água! Toda ajuda é bem vinda. Se cada um ajudar com aquilo que pode, com certeza fará a diferença para dar condições mínimas de vida às milhares de pessoas que estão nesta situação. Vamos todos ajudar!

Saiba como ajudar os desabrigados pelas chuvas em Niterói

Niterói está mobilizada para recolher doações para os desabrigados pela chuva

Desabrigados de Niterói estão sendo encaminhados para vários lugares