À Deriva

 

Foto: Sérgio Luiz/internetUtilizar as barcas como opção de transporte é sinônimo de transtorno. Esses dias um usuário comentou comigo que chegou às 18h20 no terminal da Praça XV com a intenção de ir rápido a Niterói para um compromisso. Na teoria, ele deveria embarcar às 18h30 e concluir a viagem em 20 minutos. Pelo menos, isso foi o esperado. Mas, na prática, a pessoa em questão, que não é de Niterói, só conseguiu embarcar no horário de 19h e reclamou com razão.

Neste horário, filas imensas de usuários aguardam somente a entrada no hall do terminal. Não por acaso, a mesma situação se repete na parte da manhã no terminal de Araribóia em Niterói. Infelizmente, este usuário teve uma amostra nada agradável daqueles que dependem das barcas para trabalhar ou estudar todos os dias. Péssimo cartão de visitas para cidade inclusive.

O transporte por barcas é a melhor alternativa para quem precisa transitar entre o Rio e Niterói. Mas as melhorias oferecidas pelas Barcas SA nos últimos anos não acompanharam na mesma velocidade o crescimento da demanda. E a concessionária não parece estar com pressa de resolver um problema que a envolve diretamente. Até mesmo o próprio Sérgio Cabral falou na semana passada sobre a dificuldade de negociação com a empresa. A diretoria não consegue decidir se vale a pena reduzir o custo da passagem em troca de duas barcas e um terminal da Transtur a ser cedido pelo Estado.

Falando nisso, o governador já deu aval para que as Secretarias de Transporte e de Desenvolvimento Regional levem adiante a construção do Porto Praia da Beira em São Gonçalo, que prevê um terminal de passageiros para transporte intermunicipal. O objetivo é que esteja concluído até 2014. A divisão das viagens com destino a São Gonçalo e Niterói vai ajudar a melhorar as condições de viagem dos usuários, reduzir a dependência da ponte e contribuir para o desenvolvimento de toda a região.

Linha 3 do Metrô pro trânsito não parar de vez

Sempre que vou ao Rio de Janeiro posso observar de perto como se comporta o trânsito que liga Niterói à capital estadual. Em poucas palavras posso dizer que ir de carro ao Rio pode atrasar meus compromissos.

Os problemas de trânsito de São Gonçalo têm reflexo direto em Niterói e vice-versa. Ou seja, é preciso ter integração entre as políticas públicas voltadas para o transporte da Região Metropolitana.

É preciso avaliar a questão da mobilidade urbana como um todo. Os problemas de um município não se resolvem sozinhos, precisam ser solucionados em articulação com as cidades vizinhas. O trânsito e o transporte desta Região estão diretamente interligados.

Por isso vou continuar minha luta, iniciada em 2001, pela linha 3 do metrô, que ligará o Rio/Niterói/São Gonçalo/Itaboraí.
Defendo a implantação urgente da linha 3 e acredito que para atender a demanda é preciso que haja integração com os sistemas de transportes das cidades atingidas.

Niterói revê o seu trânsito: uma conversa sobre o futuro

Nas eleições municipais de 2008, um dos principais temas debatidos em Niterói foi a precariedade do nosso trânsito. Depois que o caos foi constatado, a Prefeitura contratou o escritório do arquiteto Jaime Lerner, especialista em trânsito e transporte, para propor soluções urgentes à cidade. O relatório apresentado contém diversas intervenções a serem feitas. Algumas delas já estão inclusive sendo implantadas. No entanto, as pessoas ainda parecem bastante descrentes.

A primeira vez que o relatório foi apresentado ocorreu numa reunião do prefeito com os secretários municipais, realizada no MAC, com a participação da imprensa. A partir dali, a mídia deu conta de falar um bocado sobre o assunto. Ainda assim, com freqüência temos recebido contato de pessoas que não conhecem o projeto e querem mais informações sobre o assunto.

Conversei com o Sérgio Marcolini, presidente da Nittrans, e concordamos em realizar uma audiência pública para apresentar o projeto à população. Seria mais uma oportunidade para esclarecer dúvidas, apresentar e ouvir questionamentos, debater soluções. O evento vai acontecer agora na próxima quinta-feira, dia 25 de março, às 20h, no Plenário da Câmara.

Como vem sendo comum em nossas atividades, vamos twittar tudo o que for acontecendo e sendo dito na audiência. Ao mesmo tempo, as pessoas que se manifestarem no Twitter também participarão pois suas contribuições serão lidas no evento.

Nosso esforço é para que o maior número de pessoas esteja presente e que o debate seja aprofundado. Aumentar o acesso à informação e o controle popular sobre os governos é apenas o primeiro passo para a democracia que buscamos.