Os resultados da Copa em Niterói

Um estudo do Observatório de Turismo da Universidade Federal Fluminense (UFF), realizado em parceria com a Niterói Empresa de Lazer e Turismo (a Neltur), divulgado no sábado, dia 19, mostrou o balanço da atividade turística de Niterói durante a Copa.

Foram quase 120 mil turistas e um impacto direto na economia da cidade de aproximados R$ 87 milhões. Essa pesquisa permitiu traçar o perfil de cada turista, informação que será usada no planejamento de políticas públicas para o setor.

Pouco mais de 48% do total de visitantes são estrangeiros e vieram de países como Chile, Estados Unidos, Argentina, Colômbia e México. Metade deles tem idade entre 21 e 34 anos. E as obras de Oscar Niemeyer foram apontadas por 42% desse público como a principal motivação para visitar a cidade.

Esses dados evidenciam o crescimento do turismo da cidade e confirmam a lista que o Ministério do Turismo chegou a divulgar em 2012, que mostrava Niterói entre os principais destinos turísticos durante os jogos do Mundial.

Esses dados também vão servir como base na preparação para outros grandes eventos que estão para acontecer, como, o Encontro com a África, e, 2015, e as Olimpíadas de 2016. Um cenário me traz grande alegria. Sempre acreditei no potencial da nossa cidade.

Trilhas e circuitos da Serra da Tiririca

Depois de falar dos investimentos em segurança para a Serra da Tiririca que, recentemente, recebeu uma Unidade de Policiamento Ambiental (UPAm) que vai intensificar o combate aos crimes ambientais e manter a segurança no entorno do local, é a vez de falar das muitas opções de lazer e aventura que o parque oferece aos visitantes e aventureiros.

É muito importante a aproximação das pessoas com a natureza e o incentivo ao desenvolvimento do turismo na região, por meio de trilhas que atraem os moradores locais, regionais e até estrangeiros.

A primeira delas é a trilha no Morro das Andorinhas, de aproximadamente um quilômetro, com 45 minutos de duração que tem vista para a praia de Itacoatiara. Outra boa dica é a escalada no Morro do Tucum (Costão), com 330 metros de altitude, e vista para a praia de Itacoatiara, o Morro das Andorinhas e o Rio de Janeiro.

A Pedra do Elefante é o ponto mais alto de Niterói com vista para as cidades do Rio, Niterói e Maricá, onde é possível chegar depois de 1h30 de caminhada. Na Enseada do Bananal, cercada por rochas que adentram o oceano e formam uma espécie de “castelo das rochas”, são apenas 25 minutos de trilha, também acessível a crianças.

Tem também o Mirante de Itaipuaçu, um dos principais cartões postais do parque que proporciona uma vista única da baixada litorânea de Maricá e da praia de Itaipuaçu. E, por fim, a trilha plana pelo Córrego dos Colibris, com 10 minutos de caminhada de nível leve. O acesso é pela Estrada do Engenho do Mato.

O Parque Estadual da Serra da Tiririca, demarcado em 2007 e administrado pelo Inea, é um grande polo de ecoturismo e lazer de Niterói e Maricá. Uma área muito querida pelos niteroienses e sua preservação vai além de manter a flora e a fauna que a compõe. Niterói tem tudo para se tornar uma cidade onde se possa engrandecer o turismo.

Fortes de Niterói contribuíram para o Rio ser Patrimônio Cultural da Humanidade

Esta semana a cidade do Rio de Janeiro tornou-se a primeira do mundo a receber o título da Unesco de Patrimônio Mundial como Paisagem Urbana. E os fortes de Niterói estão diretamente ligados a essa conquista. O anúncio aconteceu no domingo (1), durante a 36ª Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, em Petersburgo, na Rússia.

Fico feliz pela escolha do Rio, ainda mais pelo envolvimento de Niterói nesta vitória. Nossa cidade ganha com o turismo local e a criação de uma série de mecanismos de preservação dessas edificações. Niterói possui o maior complexo de Fortes da América Latina e uma rica história arquitetônica.

A Fortaleza de Santa Cruz, por exemplo, com mais de 450 anos de história, é um dos atrativos mais visitados de Niterói. Foi reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e tombado em 1938.

Conhecida como a “pirâmide do Egito brasileira debruçada sobre o mar”, está localizada ao lado do canal de entrada da Baía de Guanabara, onde passam as embarcações que chegam ao porto do Rio de Janeiro. A vista do alto é muito bonita. Uma visão privilegiada de Niterói, do Rio de Janeiro e da Baía.

Igualmente importante, o Forte Barão do Rio Branco foi construído nos idos de 1567 e teve eficaz participação contra as incursões dos piratas franceses no século XVIII. Ali havia um observatório, que posteriormente foi armado e transformado em Bateria com a construção das primeiras bocas de fogo. A pequena estrada de acesso para o forte é cercada de árvores e praias, e guarda uma parte da Mata Atlântica preservada além de animais nativos, como preguiças, saguis e corujas.

O Forte São Luiz (1769) e o Forte do Pico (1918) formam um conjunto ainda desconhecido por muitos niteroienses que costumam contemplá-los em passeios pela orla da Zona Sul da cidade. A muralha do Forte do Pico, localizada no alto de uma montanha, tem uma iluminação especial.

As históricas construções preservam guaritas e muros de pedra, alguns assentados a mão, já cobertos de vegetação, imponentes portões de acesso, corredores, galerias e túneis carregados de mistérios, além de uma das mais belas vistas do país. Essas fortificações lembram em muito as ruínas de Machu Picchu, cidade perdida dos Incas, no Peru.

A Unesco adotou o conceito de Paisagem Cultural em 1992. Até então, somente jardins históricos e locais de representação simbólica, religiosa e afetiva recebiam o título de Patrimônio da Humanidade. Com esse título, o Brasil passa a contar com 19 bens na Lista de Patrimônio Mundial da Humanidade, que inclui o Pão de Açúcar, o Corcovado, a Floresta da Tijuca, o Aterro do Flamengo, além do Jardim Botânico e da Praia de Copacabana.

Em defesa da Baía de Ilha Grande

Atendendo a uma solicitação da Petrobras, o governador do Rio Sérgio Cabral determinou que fosse constituído um grupo de trabalho para a análise da proposta de ampliação do Terminal da Baía de Ilha Grande (TEBIG) em Angra dos Reis. Participaram deste GT juntamente comigo o secretário de Estado de Ambiente, Carlos Minc, e o secretário de Desenvolvimento Econômico, Júlio Bueno.

O plano da Petrobras era transformar o TEBIG em um centro de distribuição do óleo extraído do Pré-sal. O projeto de ampliação consiste, em resumo, na construção de 8 tanques para armazenamento e distribuição de petróleo e novo píer com 4 berços de atracação para navios tanques. O TEBIG é operado pela Transpetro, atende as refinarias de Duque de Caxias (RJ) e Gabriel Passos (MG), e uma das suas funções é exportar o excedente de petróleo nacional.

Os navios tanques que passariam a circular no TEBIG tem porte semelhante aos que trafegam no Canal de Suez com dimensões entre 280 a 330 metros de comprimento, largura entre 50 e 58 metros e calado de até 22 metros.

Em virtude do risco ambiental agregado à atividade petrolífera, os estudos foram conduzidos pelos técnicos do Instituto Estadual do Ambiente (Inea). Colaborei na elaboração do “Relatório de avaliação da viabilidade ecológica e econômica do projeto de ampliação do TAAR/TEBIG” fornecendo um diagnóstico da atividade pesqueira e turística da região da Baía da Ilha Grande.

No que compete à pesca, os dados coletados pelos técnicos da Fundação Instituto de Pesca do Rio de Janeiro (Fiperj) indicam Angra dos Reis como o mais importante porto pesqueiro do Estado do Rio de Janeiro, representando 34% da produção total. Em 2011, foi contabilizado o desembarque de 26.823 toneladas de pescado na cidade. Angra é também o maior porto de desembarque de sardinha-verdadeira do Brasil, tendo registrado uma produção de aproximadamente 24 mil toneladas da espécie ano passado.

Dependem da pesca na região 4700 pescadores registrados, segundo fonte do Ministério do Trabalho. Estimamos que este número seja muito maior em função da informalidade no setor.

Angra dos Reis também é o maior polo de maricultura do estado com uma produção de 20 toneladas de moluscos bivalves. Devido ao seu potencial para a aquicultura, o Ministério da Pesca está implantando vários Parques Aquícolas nas águas da cidade. A Baía da Ilha Grande tem uma peculiaridade em relação às outras duas baías do Rio (Guanabara e Sepetiba). Atualmente, ela é a que oferece as melhores condições higiênico-sanitárias para o desenvolvimento dessa atividade. Tanto que estamos apoiando um projeto de criação de peixe bijupirá em Ilha Grande, em sua face voltada para a baía.

Eu e a equipe da Fiperj acreditamos que o aumento da quantidade e frequência de navios na Baía da Ilha Grande vai prejudicar a atividade pesqueira da região no que tange:

- A ampliação das áreas de exclusão de pesca. Cada embarcação requer uma margem de segurança de 500 metros de distância em seu entorno. Isso afeta o trânsito e a atividade dos barcos de pesca e diminui as áreas para as fazendas marinhas.

- A qualidade das águas. Além do risco de vazamento de óleo que põe em perigo a atividade pesqueira por meses e até anos, a introdução de espécies exóticas no ambiente pelas águas de lastro dos navios que circulam ao redor do mundo são prejudiciais para o ecossistema aquático.

Já o turismo também sofreria impacto com o empreendimento. Angra dos Reis vem se consolidando como destino turístico internacional por sua natureza preservada. A Baía da Ilha Grande, por exemplo, é reconhecida como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica pela UNESCO. A região ainda possui outras 16 unidades de conservação federais, estaduais e municipais de proteção da Mata Atlântica como o Parque Nacional da Serra da Bocaina e o Parque Estadual da Ilha Grande de onde o TEBIG se distancia apenas 2 Km.

Qualquer acidente com os petroleiros poderia comprometer o ecossistema e fazer perder o encanto de locais paradisíacos como a Lagoa Azul, na Ilha Grande.

A análise dos dados acima citados foi determinante para que eu tomasse a decisão de indeferir a ampliação do Terminal da Petrobras na Ilha Grande. Definir posições sempre nos expõe a situações de enfrentamento de interesses. A divergência de ideias é inerente à democracia e respeito a opinião daqueles que pensam de forma diferente.

Contudo, como secretário de Estado, tenho a obrigação de refletir o território estadual de forma planejada e não ceder aos interesses políticos ou econômicos imediatos de cada cidade isoladamente. Além disso, o terminal ainda existe e está em plena operação.

Diante do histórico de responsabilidade social da empresa e de investimento no desenvolvimento das regiões onde atua, acredito ser remota a possibilidade da empresa abandonar o TEBIG, ceifando empregos e deixando para trás uma estrutura fantasma em meio a um dos pontos mais preservados do país. Esta é uma visão alarmista de quem não possui argumentos.

Mantenho-me em acordo com meu passado de lutas em defesa do meio ambiente e acredito ter contribuído para a proteção de um importante reduto da biodiversidade brasileira. Tenho minha consciência tranquila e a cabeça erguida. Não me arrependo.

Relatório completo em:
http://www.slideshare.net/felipepeixotobr/relatrio-de-avaliao-da-viabilidade-ecolgica-e-econmica-do-projeto-de-ampliao-do-taar-tebig

Niterói discute tombamento do “Caminhos de Darwin”

Depois que conseguimos aprovar a lei municipal 2699/2010 que institui e reconhece o circuito turístico Caminhos de Darwin, como parte da Área de Especial Interesse Turístico e integrante do Plano de Trilhas do Município de Niterói, os habitantes da cidade decidiram manter a mobilização e dar um próximo passo pela preservação do espaço, localizado no Engenho do Mato, próximo ao Parque Estadual da Serra da Tiririca, na Região Oceânica. Lutam agora pelo seu Tombamento Imaterial. O esforço se concretizou em uma audiência pública realizada, no dia 30 de abril, na Câmara Municipal para discutir o projeto de lei que defende a ideia.

Com a aprovação do Plano Diretor Regional (PDR), em 2006, o conceito de área turística do local foi desfeito. No momento apropriado e diante de um cenário político favorável, propus, então, através da lei, a demarcação do parque. Era evidente que o bairro deveria resgatar toda sua história e tradição, que até bem pouco tempo era considerada área rural. Tendo sido implantado o parque, agora está sendo debatido um plano de manejo que destaca a região como polo histórico e cultural. Toda a parte institucional e técnica do projeto já foi realizado. A ideia do tombamento é justamente para que não se altere os padrões urbanísticos. Ou seja, pensar em como ocupar a área com o menor impacto possível.

Esse projeto inclui, justamente, a revisão do plano urbanístico da cidade, em particular da Região Oceânica. Com isso, há que se garantir a permanência do gabarito que o Engenho do Mato possui. Se há uma unidade de conservação ao redor, com inúmeras nascentes e extensa vegetação, a urbanização da região deve respeitar tais particularidades. Ali se forma a bacia de um dos principais rios da região, o Rio João Mendes, cuja uma das nascentes está na Serra da Tiririca. Além disso, o Engenho do Mato foi a primeira área de assentamento agrário no país. O fato, juntamente com a passagem de Darwin, compõe uma importância histórica que não pode agora ser ignorada.

O bairro tem tudo para se tornar uma área onde se possa promover a educação ambiental, a cidadania, o turismo e a capacitação profissional. Segundo meu amigo e defensor da proposta, o ambientalista Sérgio Bacelar, a reserva florestal é uma verdadeira sala de aula a céu aberto. Poucos lugares oferecem uma reserva em área urbana como aqui. Uma outra possibilidade sugerida por ele é transformar o local num campo de visitação, estudo e pesquisa.

Grande maioria dos moradores da região anda de bicicleta. Uma sugestão também apresentada e inserida no projeto é a adoção de uma ciclovia no local. Para relembrar, em maio do ano passado, Niterói aprovou o Estatuto da Bicicleta. Um amplo projeto pode garantir aos moradores uma infraestrutura capaz de oferecer mobilidade segura e adequada ao ambiente geográfico da área.

A partir do momento que se propõe um tombamento, passa-se a ter uma chancela reconhecida pelo Governo Federal. Vale pensar em projetos que tragam investimentos da União para a cidade, como o repasse de verba, por exemplo. O próprio Governo do Estado incentiva essa ação através da lei do ICMS. Ainda será possível estabelecer parceria com empresas que dispõem de projetos socioambientais ou de responsabilidade social. Mas o principal benefício é, sem dúvida, a qualidade de vida dos moradores.

Programa vai fortalecer turismo no Estado

No embalo da Copa do Mundo e das Olimpíadas, o governo estadual em parceria com o governo federal, quer fortalecer a política de turismo no Estado do Rio de Janeiro. O Ministério do Turismo já possui uma experiência nesse foco em estados do Nordeste e o programa sugerido prevê investimentos em produtos turísticos, na melhoria da infra-estrutura de cidades ou regiões turísticas, e no desenvolvimento da capacidade de gestão institucional e ambiental, buscando o desenvolvimento do turismo em bases sustentáveis.

O programa inclui 23 municípios do Estado e conta com o financiamento do BID e do Governo Federal através do Ministério do Turismo. Cada região receberia investimentos direcionados a sua vocação, exemplo:

* Costa do Sol (Saquarema, Araruama, São Pedro da Aldeia, Iguaba Grande, Arraial do Cabo, Cabo Frio, Armação de Búzios, Casimiro de Abreu);
* Costa Verde (Parati, Angra dos Reis, Mangaratiba, Rio Claro);
* Agulhas Negras (Itatiaia e Resende);
* Serra Verde Imperial (Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo e Cachoeiras de Macacu);
* Vale do Café (Valença, Vassouras e Piraí)
* Região Metropolitana (Rio de Janeiro e Niterói)

O projeto gerido pela Secretaria Estadual de Turismo vem ao encontro dos esforços para dinamizar o desenvolvimento regional da região leste metropolitana e do interior. Essa semana, o governo estadual divulgou o encontro com a Neltur, empresa resposável pelos projetos turísticos de Niterói, que firma o início do plano piloto.